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Política

Filho de Ibaneis comprou duplex de R$ 9 milhões com financiamento do BRB

Imóvel pertenceu a executivo da J&F ligado ao PicPay; CPMI do INSS investiga relações concernentes ao negócio

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha: sob pressão | Foto: José Cruz/Agência Brasil
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha: sob pressão | Foto: José Cruz/Agência Brasil

O advogado Caio Carvalho Barros, de 27 anos, filho do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), adquiriu um apartamento duplex em Brasília por R$ 9,2 milhões, com financiamento do Banco de Brasília (BRB), em março de 2025. A instituição financeira, controlada pelo governo do DF, está no centro da crise relacionada ao Banco Master.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) investiga se há relação entre a compra do imóvel e a entrada do PicPay, empresa do grupo J&F Participações, no governo distrital. O duplex pertencia anteriormente a José Antônio Batista Costa, presidente da J&F Participações, presidente do conselho do PicPay e sobrinho dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista.

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Antes de chegar ao filho do governador, o imóvel passou por outro proprietário. Caio Barros adquiriu o apartamento depois que seu escritório vendeu um honorário de R$ 38 milhões a um fundo ligado à Reag Investimentos, empresa investigada no caso do Banco Master.

Liquidação extrajudicial da Reag foi anunciada nesta quinta-feira, 15 de janeiro | Foto: Divulgação/Reag
Liquidação extrajudicial da Reag foi anunciada em 15 de janeiro | Foto: Divulgação/Reag

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o advogado afirmou que comprou o imóvel com ajuda dos pais e negou relação com negócios do escritório. Segundo ele, o financiamento foi feito pelo BRB por oferecer as melhores condições de crédito. Atualmente, Caio Barros reside no apartamento.

O duplex tem 467 metros quadrados e fica no Setor Noroeste, área de alto padrão de Brasília. De acordo com a escritura, Caio Barros pagou R$ 3,346 milhões diretamente ao vendedor, o empresário Claudio Mohn França, enquanto R$ 5,904 milhões foram financiados pelo BRB, com parcelas mensais de R$ 64.844.

Claudio França havia se tornado proprietário do imóvel oito meses antes, em julho de 2024. Ele recebeu o apartamento como parte do pagamento pela venda de uma casa de R$ 28 milhões no Lago Sul, outro bairro nobre da capital federal, para José Antônio Batista Costa.

Fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB)
Fundado em 1964 o Banco de Brasília é uma instituição financeira pública brasileira, constituída como sociedade de economia mista e capital aberto, controlada pelo Governo do Distrito Federal – Brasília (DF), 19/11/2025 | Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

Do valor total da casa, o executivo da J&F pagou R$ 2,4 milhões por transferência bancária e R$ 15,5 milhões em parcelas a partir de setembro de 2024. O restante, R$ 10 milhões, foi quitado com a transferência do duplex do Noroeste. O imóvel havia sido comprado por Costa em setembro de 2023, ainda na planta, por R$ 5,5 milhões.

Em março de 2025, oito meses depois de receber o apartamento, Claudio França vendeu o duplex a Caio Barros por R$ 9,2 milhões.

Caio Barros disse que a compra do imóvel não tem relação com o negócio que envolve a Reag Investimentos nem com contratos de seu escritório. Segundo ele, os recursos para a entrada vieram de doações dos pais.

“Minha mãe me deu um pedaço, meu pai me deu outro. Nenhum valor veio do escritório”, afirmou ao Estadão. “Eu paguei a entrada, financiei o restante e estou pagando as parcelas.”

Filho de Ibaneis comprou duplex de R$ milhões com financiamento do BRB
Ibaneis Rocha e Caio Carvalho Barros | Foto: Reprodução/Agência Brasília/Ibaneis Advocacia

O advogado declarou ainda que conhece José Antônio Batista Costa “da vida”, mas disse não saber que o executivo havia sido dono do duplex. Ele contou ter conhecido Claudio França por meio de uma corretora e que o imóvel foi o primeiro que visitou quando procurava residência.

Claudio França afirmou que trabalha há anos com compra e venda de imóveis e que a negociação ocorreu depois de uma imobiliária indicar o comprador. Segundo ele, só soube depois da venda que o comprador era filho do governador.

Em nota, a J&F afirmou que a valorização do imóvel se explica pelo fato de ele ter sido adquirido na planta e posteriormente receber acabamentos, mobiliário e decoração antes de ser usado como parte do pagamento pela casa no Lago Sul.

Autoridades suspeitam que Master e BRB usaram suposta fraude para movimentações recorrentes | Montagem sobre fotos: Rovena Rosa/Joédson Alves/Agência Brasil
BRB já registrou perdas de R$ 2,6 bilhões com carteiras adquiridas do Master | Montagem sobre fotos: Rovena Rosa/Joédson Alves/Agência Brasil

Relação da compra do imóvel com o governo de Ibaneis

O PicPay, cujo conselho é presidido por José Antônio Batista Costa, firmou, em 16 de setembro de 2024, um termo de compromisso com o governo de Ibaneis Rocha para oferecer um serviço de antecipação salarial a cerca de 200 mil servidores do Distrito Federal.

A parceria foi possível depois de um decreto editado por Ibaneis em 7 de agosto de 2024 que autorizava convênios relacionados a consignações. Posteriormente, o banco digital utilizou o acordo com o governo do DF para apresentar ao INSS um serviço de crédito consignado.

O programa, batizado de “Meu INSS Vale+”, acabou suspenso por descumprimento de normas que proíbem a cobrança de taxas não autorizadas. A CPMI do INSS investiga se há ligação entre a entrada do PicPay no governo do DF e a negociação do imóvel comprado pelo filho do governador.

Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana
Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Durante depoimento à comissão, o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, criticou o programa e afirmou que ele poderia incentivar o endividamento de segurados. Segundo ele, a reformulação feita em fevereiro de 2025 permitiria ao PicPay antecipar até R$ 450 a beneficiários, com taxa de até 10%.

A J&F também foi citada na CPMI por causa de pagamentos de R$ 28,6 milhões a empresas que teriam repassado recursos a pessoas ligadas ao empresário e lobista Danilo Trento. Parlamentares apontam um possível “nexo temporal” entre esses pagamentos e a criação do programa Vale+.

A empresa afirma que contratou consultorias para serviços efetivamente prestados e que rescindiu os contratos assim que surgiram menções a Danilo Trento durante as investigações da comissão.

3 comentários
  1. Wagner Cesar Palmieri
    Wagner Cesar Palmieri

    Esse não tenho dúvida nenhuma, é mafioso, é sina.

  2. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Esse gordinho tem cara de ladrao assim como o filho e todos os familiares.

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