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Política

Enamed expôs faculdades de medicina que visam apenas ao lucro, diz médico

No exame realizado em outubro do ano passado, dos 351 cursos avaliados, 107 apresentaram desempenho insatisfatório

enamed faculdades medicina
O CFM avalia medidas para condicionar o registro de novos médicos à aprovação no Enamed | Foto: Reprodução/YouTube/Oeste

O infectologista e vice-corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM), Francisco Cardoso, afirmou que o resultado negativo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina (Enamed) expôs faculdades de medicina que “visam ao lucro, e não a saúde da população”.

No exame realizado em outubro do ano passado, dos 351 cursos avaliados, 107 apresentaram desempenho insatisfatório, com menos de 60% dos alunos considerados proficientes.

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Entre as 304 instituições reguladas pelo Ministério da Educação (MEC), 99 podem sofrer sanções administrativas, que variam da proibição de ampliar vagas até a suspensão do vestibular, dependendo do porcentual de proficiência.

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O CFM avalia medidas para condicionar o registro de novos médicos à aprovação no Enamed.

A proposta prevê que candidatos ao Conselho Regional de Medicina (CRM) apresentem a nota do Enamed, sendo o registro concedido apenas aos aprovados.

“O que ocorreu é que, em resposta ao projeto do CFM, que cria um ‘exame da OAB’ para a medicina, o governo, tentando barrá-lo, se antecipou e atribuiu ao MEC a realização de um exame”, explicou Cardoso, em entrevista concedida ao programa Oeste com Elas desta quarta-feira, 21. “E o resultado do Enamed foi uma catástrofe.”

“O MEC fez uma tomografia de um problema que sempre víamos, mas não tínhamos mensurado”, completou. “Agora sabemos que um terço das faculdades de medicina está despreparado em nível extremo e que, pelo menos, 13 mil alunos que estão prestes a se formar reprovaram em uma prova fácil, cuja média para passar era 6.”

Médico cita “ecossistema” bilionário que envolve faculdades

Ao comentar a tentativa das faculdades de barrarem a divulgação do resultado do Enamed, Cardoso disse que esse tipo de iniciativa geralmente visa a evitar prejuízos financeiros.

“O que está por trás disso são bilhões de reais que essas faculdades de medicina faturam por ano”, ressaltou. “Além de todo um ecossistema que se cria em torno dessas faculdades. O sonho de todo prefeito é ter uma faculdade de medicina, porque junto com ela vem toda uma rede de comércio, aumento de consumo e arrecadação de impostos.”

Leia também: “Trinca de canastrões”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 305 da Revista Oeste

Depois da repercussão do resultado do Enamed, o debate sobre a criação de uma avaliação obrigatória semelhante à da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para médicos ganhou novo fôlego.

Enquanto associações universitárias criticam o MEC e contestam a metodologia, entidades médicas, como o próprio CFM, defendem a adoção de um exame compulsório, chamado de “OAB da medicina”, tema em discussão no Congresso.

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