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Política

Ela desatinou: o coquetel fantasma de dona Janja

O evento foi a parábola perfeita da nomenklatura brasileira, que é pompa sem substância, pose sem poder e embriaguez de vaidade

le monde janja
O presidente Lula (esq) e a primeira-dama Janja, durante o lançamento do Programa Escola em Tempo Integral - 31/07/2023 | Foto: Wallace Martins/Estadão Conteúdo

Há eventos particulares que se tornam relevantes justamente por sua insignificância. E, entre esses, há os que se prestam à generalização graças ao que têm de ridículo. O coquetel promovido pela mulher do descondenado-em-chefe em Belém (PA) é um desses eventos. Um banquete preparado para chefes de Estado que, por algum milagre de lucidez, decidiram não aparecer é a metáfora perfeita do Brasil lulopetista — uma mesa farta para ninguém, uma festa sem convidados, um ritual de autoadoração encenado diante do espelho.

A cena é tragicômica e, por isso mesmo, altamente pedagógica. O casal presidencial imagina que governa o mundo a partir de sua alcova sentimental. Dona Janja e seu marido não entendem que a diplomacia, diferentemente da propaganda, exige respeito, autoridade e seriedade. Daí que, enquanto a deslumbrada senhora distribuía selfies e canapés amazônicos, o planeta real tratava o Brasil com a indiferença reservada aos bufões. Nenhum chefe de Estado importante se dignou a aparecer. Só o chileno Gabriel Boric, o eterno adolescente socialista, se prestou a colaborar com o fiasco.

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Eis um espetáculo emblemático do estado atual da “democracia” lulopetista: grandes gestos, poucos resultados e plateia reduzida. Nada poderia ser mais representativo do estetismo brasileiro, que Mário Vieira de Mello caracterizou como “um exibicionismo sem pudor […], um cabotinismo indiferente às exigências mais rudimentares da modéstia”.

O convite saúda “chefes de delegação”, mas os chefes não vêm. Por quê? A explicação oficial — “exaustão após a agenda da cúpula” — soa como consolo para quem já sabe que o desfile retórico esconde o vácuo político. Na verdade, a cena revela quatro dados elementares: primeiro, a diplomacia-espetáculo como substituta da diplomacia efetiva; segundo, a incapacidade do Brasil de atrair parcerias de peso; terceiro, o uso da Amazônia e do regionalismo como adorno para a narrativa oficial; quarto, e mais grave, a transformação da política externa em monólogo interno, despido de interlocutores reais.

janja
A primeira-dama Janja, durante sessão Inaugural do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, no Itamaraty | Foto: Fátima Meira/Estadão Conteúdo

O coquetel de Janja é a parábola perfeita da nomenklatura brasileira: muita pompa sem substância, muita pose sem poder e uma embriaguez de vaidade que não serve nem para enganar o garçom. No fim, restam o salão vazio, o champanhe morno e a certeza de que o Brasil se transformou num baile arruinado.

Como cantou o petista Chico Buarque, ela desatinou — “viu morrer alegrias, rasgar fantasias e os dias sem sol raiando”. Mas ela ainda está lambando. Ela ainda está lambando…

Leia também: “Janja quer poder”, reportagem publicada na Edição 190 da Revista Oeste

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17 comentários
  1. Luiz Americo Lisboa Junior
    Luiz Americo Lisboa Junior

    Essa gente é o retrato oficial da nossa decadência moral e política. É a desgraça e a tragédia da nação transformada numa ópera bufa de quinta categoria.

  2. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Um palco gigante onde só apareceram palhaços…..pagos pelo povo brasileiro !

  3. Christian
    Christian

    Até os bobos das cortes eram mais inteligentes do que esta medíocre figura.

  4. daise a.scopiato
    daise a.scopiato

    O triste cruzamento de um analfabeto com uma exploradora vaidosa e o apoio de imprensa e imperadores iguais!!!

  5. ELIAS
    ELIAS

    Quando se soma mediocridade com irrelevancia e acrescentando pitadas de despudor e de cinismo, temos esse resultado.

  6. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    Onde está a ira do povo contra esta casta de usurpadores do trabalho da
    Nação? Dilapidando todo o dinheiro dos pesados impostos? Cadê a revolta do povo????

  7. David S
    David S

    Nos tornamos em uma tragicomédia descomunal.
    Que imagem passamos para o mundo!….

  8. Ivan Sérgio de Paula lima
    Ivan Sérgio de Paula lima

    Será que o imperador calvo pedirá 24h para os ausentes se justificarem?

  9. Edson Csuraji
    Edson Csuraji

    Reflexo do analfabetismo funcional. Para exercer o poder é preciso ter um mínimo de “pedigree” seja herdado ou conquistado via um aprendizado com muita dedicação ao trabalho e caminho acadêmico sólido. Mas, em território abandonado, o esperto leva vantagem.

  10. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    O dinheiro dos outros pro ralo junto com o desgoverno.

    1. Carlos Soares
      Carlos Soares

      O pior é que a gradezinha do ralo está deixando passar tudo, menos o (10)governo.

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