publicidade
Política

Derrite vai aplicar dinheiro apreendido da mulher de Marcola na segurança

Recursos como os R$ 479 mil e imóvel ligados ao líder do PCC vão financiar tecnologia para as forças policiais

Capitão Derrite (PL-SP) é relator do projeto que proíbe saidinha de presos | Foto: Divulgação/Secretaria de Segurança Pública
O deputado federal Guilherme Derrite, relator do PL Antifacção | Foto: Divulgação/Secretaria de Segurança Pública

Recursos obtidos por meio de apreensões do crime organizado, como os valores confiscados da mulher de Marcola, serão destinados ao fortalecimento da segurança pública em São Paulo. O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, destacou, em entrevista publicada nesta quarta-feira, 24, a importância de transformar bens do crime em investimentos para as polícias.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Derrite citou o exemplo recente do confisco de R$ 479 mil e um imóvel de R$ 3 milhões, ambos vinculados à mulher do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), que vão para o fundo da secretaria. O secretário ressaltou que o programa Recupera SP já destinou R$ 62 milhões ao caixa da pasta, com previsão de alcançar até R$ 1 bilhão ao ano.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

“Parte desse dinheiro, 30%, vai para o Ministério Público porque são nossos grandes parceiros históricos no combate ao crime organizado”, explicou ao Estadão. “E isso inclui os Acordos de Não Persecução Penal, cujo dinheiro vem mais rápido.”

Sobre a atuação policial, Derrite explicou que o Estado já firmou convênio com 598 municípios no sistema de monitoramento Muralha Paulista e pretende atingir todos os 645 municípios. Ele informou que 49 cidades, incluindo a capital, têm cobertura plena, e que, para municípios sem infraestrutura, uma licitação prevista para novembro vai ampliar a instalação de câmeras.

O sistema Muralha Paulista integra bancos de dados e monitoramento, com mais de 830 milhões de placas de veículos lidas em julho e mais de 113 mil alertas gerados, incluindo casos de veículos ligados a procurados pela Justiça. O cruzamento de informações ocorre em quatro etapas: Centro de Operações da Polícia Militar (PM), central da Guarda Municipal, tablets das viaturas e o aplicativo Muralha Connect nos celulares de policiais.

Para garantir a proteção de dados, a Autoridade Geral de Proteção de Dados do governo federal participou do projeto, estabelecendo diferentes níveis de acesso conforme a função. Cada município indica um responsável técnico pelo uso do sistema, e o anonimato de pessoas não procuradas pela Justiça é assegurado, conforme exigido pela Lei Geral de Proteção de Dados.

O secretário salientou que o sistema permite patrulhamento orientado por inteligência artificial, que analisa boletins de ocorrência e indicadores criminais para orientar as viaturas em tempo real. Ele afirma que o objetivo é reduzir a dependência da iniciativa individual dos policiais, tornando o patrulhamento mais eficiente e automatizado.

Derrite abordou ainda o combate a roubo e furto de celulares. Ele informa que operações integradas com operadoras e cruzamento de dados resultaram em 60% a 65% de devolução dos aparelhos e destacou a importância de atuar em toda a cadeia logística desses crimes, desde a revenda até a recuperação dos aparelhos.

Derrite aponta necessidade de agência nacional antimáfia

Sobre confrontos entre policiais e criminosos, Derrite declarou que houve aumento nos dois primeiros anos de gestão, mas que o índice já está controlado em relação a anos anteriores. Ele ressaltou que operações de inteligência aumentaram significativamente, passando de até 20 por ano para 164 em 2024, com destaque para a atuação da Corregedoria da PM em casos como o de Vinícius Gritzbach.

Lincoln Gakiya, comenta a influência do PCC
Lincoln Gakiya é promotor no Ministério Público de São Paulo | Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

O secretário defendeu ainda a criação de uma agência nacional antimáfia, inspirada no modelo italiano, e afirmou que apoiaria a proposta mesmo se viesse do governo federal. “Se vier uma proposta do governo federal de criação da agência antimáfia, sou o primeiro a defender publicamente.”

O procurador Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há mais de 20 anos, defende proposta semelhante. De acordo com Derrite, ele e Gakiya são próximos. “Eu converso muito com o doutor Lincoln Gakiya. A gente precisa criar aqui no Brasil a figura do juiz oculto. E uma agência antimáfia como a Itália criou.”

Derrite classificou a morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes como um atentado de extrema gravidade e quer que casos desse tipo sejam tratados como terrorismo, e não como homicídio comum. Ele argumentou que o endurecimento das penas e o reconhecimento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas são fundamentais para evitar o avanço de um Narcoestado.

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    O dinheiro e os bens resgatados do tráfico, são a destruição de milhões de jovens, famílias. E também a saúde da população viciada, e o armamento, propriedades ilícitas que o Governo deve combater.

  2. Teo Ferreira Radialista
    Teo Ferreira Radialista

    MAS, INFELIZMENTE O EX-PRESIDIÁRIO ESTÁ AO LADO DO CRIME, JUNTAMENTE COM O STF

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade