Um relatório elaborado pelo presidente da Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio Serafini, afirma que um decreto assinado pelo então governador Cláudio Castro, em maio de 2021, favoreceu a expansão do Banco Master no mercado de crédito consignado do Estado.
Segundo o estudo, a medida alterou a regulamentação dos empréstimos consignados e abriu caminho para o credenciamento de instituições financeiras e administradoras de cartão de crédito para atuar junto a servidores públicos e pensionistas.
Receba nossas atualizações
Cláudio Castro nega ter beneficiado o banco e afirma que não conhecia o empresário Daniel Vorcaro quando editou o decreto.

O relatório sustenta que o mercado de consignados serviu como porta de entrada para o Banco Master no Rio de Janeiro. Esse mercado teve papel relevante em uma estrutura que, anos mais tarde, resultou em aportes bilionários. As aplicações foram feitas pelo Rioprevidência e pela Cedae em produtos financeiros ligados à instituição.
Em novembro do ano passado, quando o Banco Master entrou em liquidação, sua carteira de crédito consignado no Rio somava R$ 5,5 bilhões distribuídos em 156 mil contratos. O banco ocupava a segunda posição no mercado estadual, atrás apenas do Bradesco.
Decreto antecedeu autorização para oferta do Credcesta
De acordo com o levantamento, o decreto assinado em 27 de maio de 2021 mudou as regras de mercado. A partir dele, o governo passou a autorizar o credenciamento de administradoras de cartão de crédito e de entidades financeiras sem registro no Banco Central.
Cinco dias mais tarde, em 1º de junho, veio a autorização da Casa Civil. A operadora PKL One, vinculada ao Banco Master, ganhou o aval para oferecer o cartão Credcesta a servidores e pensionistas do Estado.
+ Leia também: “Os tentáculos do Master“, artigo de Uiliam Grifazis, publicado na Edição 325 da Revista Oeste
O relatório afirma que o termo de credenciamento garantiu exclusividade à empresa na oferta do cartão de benefícios.
A PKL tinha ligações com Augusto Lima, então sócio de Daniel Vorcaro, e operava o cartão consignado do Banco Master nos Estados onde o produto estava disponível. Com a liquidação da instituição financeira, o Pleno, empresa pertencente a Lima, assumiu as carteiras do Credcesta.
O documento também mostra que o decreto ampliou a parcela da renda dos servidores que poderia ser comprometida com esse tipo de operação. A norma criou um limite específico de 20% para o cartão de benefícios. Além disso, o texto liberou o uso do cartão para a compra de bens e serviços no comércio convencional.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.