Em 15 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans. A declaração do magistrado ecoa relatórios da Rede Trans Brasil e da Transgender Europe (TGEU), usadas como fontes por ativistas e pela imprensa internacional, mas ignora os próprios alertas metodológicos desses documentos. Uma leitura atenta do Dossiê da Rede Trans Brasil 2025 revela que o ranking que sustenta a fala do ministro não tem valor estatístico comparável a dados oficiais.
O estudo é construído com base em recortes de notícias, publicações em redes sociais e denúncias enviadas por aplicativos de mensagem. Para ter uma ideia, o processo se limita a monitorar notícias em buscadores e redes sociais, verificar casos com grupos locais e ativistas e preencher planilhas com nome, cidade e circunstância relatada.
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Não há integração com registros da Polícia Civil, da Polícia Militar nem Ministério Público, tampouco análise forense de cada caso. O próprio texto reconhece as deficiências do estudo. “Não é possível afirmar que as informações e resultados apresentados representam a totalidade dos homicídios, devido às limitações durante o monitoramento e à ausência de informações governamentais”, diz o relatório.
A diferença entre mortes e assassinatos de trans
O dossiê contabiliza toda morte violenta de pessoa identificada como travesti ou transexual, mas sem investigar a motivação. Casos de latrocínio, tráfico, brigas pessoais, suicídios ou acidentes, por exemplo, entram no total da mesma forma que homicídios motivados por ódio. A equipe de pesquisa não distingue crimes de transfobia de crimes comuns. Com isso, a categoria “assassinato de pessoa trans” se confunde com “morte de pessoa trans”. Esse detalhe é essencial: o número divulgado não mede “crimes de ódio”, mas apenas ocorrências de mortes violentas que envolvem pessoas trans, independentemente das causas.
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Outra falha é o uso de números absolutos, sem cálculo proporcional à população. O dossiê informa que o Brasil registrou 106 mortes em 2024, seguido por México (71) e Colômbia (25). Em seguida, conclui que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. Mas o relatório não calcula taxa por 100 mil habitantes, nem tenta estimar quantas pessoas trans existem em cada país. Essa ausência de proporcionalidade distorce o resultado: países grandes e com imprensa mais ativa tendem a registrar mais casos, enquanto países pequenos ou com censura apresentam desempenho satisfatório em razão da falta de cobertura midiática. Se o cálculo fosse proporcional, México, Colômbia e Honduras provavelmente teriam taxas mais altas.

O período analisado pelo dossiê vai de 1º de outubro de 2023 a 30 de setembro de 2024 — a mesma janela do Trans Murder Monitoring (TMM), mas diferente do ano civil usado em relatórios oficiais de segurança pública. Essa escolha impede comparações com dados nacionais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, do DataSUS ou do Ministério da Justiça. Além disso, não há auditoria independente, nem revisão estatística externa. Os dados são processados manualmente e publicados em formato de narrativa militante, sem documentação técnica detalhada.
Falta de metodologia científica
O próprio relatório constata que muitos casos não são reportados ou são mal classificados, o que cria lacunas e vieses regionais. Estados com maior cobertura midiática, como São Paulo, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, aparecem com mais registros, não necessariamente com mais crimes. Já regiões com baixa presença digital, como o Norte e o Centro-Oeste, parecem mais seguras apenas porque faltam notícias sobre o assunto.
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Embora use o vocabulário de relatórios de pesquisa, como “amostra”, “monitoramento” e “proporção”, o estudo não adota métodos de amostragem nem controle estatístico. A ausência de metodologia científica, aliada à coleta informal de dados, compromete a credibilidade do ranking e, por consequência, da afirmação repetida por autoridades — como Moraes — e pela imprensa tradicional. O próprio relatório reconhece que seus números são parciais e imprecisos, mas, ainda assim, vêm sendo usados como referência em decisões de governo e discursos públicos. Sem lastro técnico, sustentado por estimativas frágeis e interpretações políticas.
Como professor deve ser um m. Como um advogado chuta dados de jornais? Porque não lê nada, passeia e assiste a jogos de futebol.
Este cara é uma
Máquina de fake
News, quis dizer algodão doce.
Definitivamente, o senhor ministro é um ignorante. Como sugestão, ele deveria voltar a sala de aula ou contratar um mentor para lhe ensinar métodos e processos.
Quando um juiz faz declarações sobre qualquer assunto, ele se torna suspeito para julgar qualquer ação que se refira ao assunto que ele se manifestou fora dos autos.