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Política

CPMI: ‘Careca do INSS’ chega para prestar depoimento

O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes negociou sua ida à comissão

Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS: depoimento confirmado pela própria defesa | Foto: Reprodução/Redes sociais
Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS: depoimento confirmado pela própria defesa | Foto: Reprodução/Redes sociais

A CPMI do INSS recebe, na manhã desta quinta-feira, 25, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O empresário já chegou ao Senado Federal, porém, os parlamentares devem primeiro votar mais de 30 requerimentos antes de dar início ao depoimento.

O “Careca do INSS” é indicado como um dos principais articuladores do esquema bilionário de fraudes em descontos associativos e empréstimos consignados, ele acertou sua ida à comissão depois de intensas negociações de bastidores.

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+ CPMI: depoimento do ‘Careca do INSS’ é adiado para quinta-feira

Segundo apurado por Oeste, o comparecimento do “Careca do INSS” foi condicionado ao cancelamento da oitiva da sua mulher na CPMI. A estratégia, articulada por advogados e aliados políticos, tinha como objetivo ouvir o empresário, indicado como um dos principais envolvidos no esquema.

Senador Carlos Viana (Podemos-MG), durante sessão da CPMI do INSS; ele é presidente da comissão | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o objetivo da CPMI é dar respostas claras à sociedade sobre o desvio bilionário no INSS. O depoimento do empresário é considerado um dos mais importantes da comissão até agora, uma vez que ele é apontado como articulador central no esquema que drenou recursos da Previdência Social.

“A CPMI tem a obrigação, tem o dever de dar ao povo brasileiro transparência em toda essa roubalheira, nesse esquema absurdo, vergonhoso que tomou conta da Previdência e que só foi descoberto efetivamente depois das operações da Polícia Federal”, disse Viana. “Várias denúncias do passado foram feitas, mas ninguém fez praticamente nada, ou, se fez, não foi efetivo para evitar que milhões dos nossos idosos fossem roubados, muitos sem nem saber o que estava acontecendo.”

Depoimento do “Careca do INSS”

A decisão de negociar sua ida direta à comissão ocorreu depois da prisão preventiva decretada contra ele e outros envolvidos no rombo do INSS. Deputados e senadores avaliam que o depoimento de Careca poderá revelar detalhes sobre a atuação de sindicatos, associações e bancos que, ao longo dos últimos anos, se beneficiaram das falhas de fiscalização da Previdência.

Integrantes da CPMI destacam que o caso simboliza a vulnerabilidade do instituto. O “Careca do INSS” teria operado por anos ao explorar descontos irregulares em folha de pagamento de aposentados e pensionistas, com movimentações financeiras na casa de milhões.

Ao longo das sessões, a comissão tem reforçado que nenhum personagem do esquema será protegido. A expectativa é que a oitiva possa trazer informações centrais para rastrear o fluxo de recursos e responsabilizar agentes públicos e privados que atuaram no esquema.

CPMI recorre ao STF 

Na última quinta-feira, 18, Carlos Viana já havia informado que estava em contato com Mendonça para conseguir realizar as oitivas do “Careca do INSS” e Maurício Camisotti.

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Os depoimentos dos empresários estavam marcados para a semana passada, porém, foram cancelados pelos suspeitos. Com isso, o colegiado aprovou os seguintes requerimentos:

  • Tânia Carvalho dos Santos — mulher de Antunes, é alvo de suspeitas por movimentações financeiras, incluindo a compra de imóvel com R$ 3 milhões em dinheiro vivo;
  • Romeu Carvalho Antunes — filho de Antunes e sócio em empresas ligadas ao esquema;
  • Rubens Oliveira Costa — sócio de Antunes;
  • Milton Salvador de Almeida Jr. — sócio em diversas empresas vinculadas às fraudes.
  • Cecília Montalvão — mulher de Maurício Camisotti, também é sócia em uma empresa com movimentações bancárias de quase R$ 300 milhões; e
  • Nelson Williams — advogado que foi alvo de operação da PF, acusado de movimentações financeiras suspeitas.

Também na semana passada, a CPMI do INSS aprovou requerimentos de convites para autoridades que possam auxiliar nas investigações da fraude bilionária:

  • Andrei Rodrigues — diretor-geral da Polícia Federal;
  • Jorge Messias — advogado-geral da União;
  • Vinícius Marques de Carvalho — controlador-geral da União; e
  • Bruno Bianco — ex-secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

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