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Política

Corte de supersalários economizaria até R$ 186 bilhões em dez anos

Pesquisa indica que medidas de controle podem poupar mais de meio trilhão de reais em duas décadas no Brasil

Supremo Tribunal Federal analisa casos de supersalários, especialmente no Poder Judiciário | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil stf
Supremo Tribunal Federal analisa casos de supersalários, especialmente no Poder Judiciário | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Um estudo encomendado pelo instituto República.org aponta que o controle dos chamados supersalários no serviço público pode gerar economia de até R$ 186,4 bilhões em dez anos no Brasil. A pesquisa foi chefiada por Sergio Guedes-Reis, servidor federal e doutorando pela University of California, San Diego.

O levantamento compara a estrutura remuneratória de carreiras do sistema de Justiça em 11 países, incluindo Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. Além da magistratura, foram analisados pagamentos a integrantes de órgãos equivalentes ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à advocacia pública.

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Supersalários: cenários de ajuste e impacto fiscal

A pesquisa simula três cenários ao longo de 20 anos: congelamento total dos salários, aplicação de novas regras apenas para novos ingressantes e adoção de mecanismos como a Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada (VPNI) para adequar remunerações acima de um novo teto. As projeções consideram taxa de reposição de 4% ao ano, inflação anual de 4% e manutenção do número de servidores.

No cenário de aplicação imediata, a economia poderia atingir R$ 186,4 bilhões em dez anos e R$ 578,3 bilhões em 20 anos. Caso as mudanças valham apenas para novos servidores, a redução seria de R$ 97,8 bilhões em uma década e R$ 330,3 bilhões em duas. Já com a adoção da VPNI, incluindo servidores atuais, a economia estimada chega a R$ 169,4 bilhões em dez anos e R$ 520,8 bilhões em 20 anos.

Leia também: “Lobby e a feira de consciências”, reportagem publicada na Edição 314 da Revista Oeste

Para ajustar as diferenças entre países, o estudo utiliza métricas como o dólar por paridade de poder de compra (PPP) e múltiplos da renda mediana e do salário mínimo. No Brasil, o teto constitucional corresponde ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente em torno de R$ 46,3 mil, valor definido em 2004 e que, corrigido pela inflação, seria cerca de 40% maior hoje.

Apesar disso, não é incomum que servidores recebam acima do teto, devido a verbas de caráter indenizatório — os chamados “penduricalhos” — pagas a magistrados, promotores, defensores e advogados públicos.

Modelos adotados no exterior

O estudo mostra que outros países utilizam mecanismos variados para limitar salários no setor público. O México adota um teto geral, enquanto Colômbia e Itália têm limites específicos por poder. Nos Estados Unidos, os valores são definidos por grupos de servidores, e no Chile e na Argentina há critérios ligados à elite política ou a cargos específicos. Já Alemanha e Portugal usam tabelas estruturadas, enquanto o Reino Unido conta com comissões que avaliam quando as remunerações podem superar o salário do primeiro-ministro.

O STF tem adotado medidas recentes contra os supersalários. Em fevereiro, o ministro Flávio Dino suspendeu o pagamento de verbas indenizatórias fora das hipóteses previstas em lei.

Na sequência, o ministro Gilmar Mendes determinou que esses pagamentos no Judiciário e no Ministério Público só podem ocorrer quando houver previsão legal aprovada pelo Congresso, o que atingiu boa parte dos chamados penduricalhos. O tema ainda será analisado pelo plenário da Corte.

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