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Correios: ex-diretora vai receber 6 meses de salário mesmo depois de demissão

O pagamento, estabelecido depois de seu desligamento, soma R$ 278 mil, equivalente ao salário mensal anterior de R$ 46,3 mil

Correios
Juliana Picoli Agatte | Foto: Reprodução/Agência Brasil

Juliana Picoli Agatte, ex-diretora de Governança e Estratégia dos Correios, ficará afastada por seis meses antes de assumir funções no setor privado e receberá remuneração integral durante esse período de quarentena. O pagamento, estabelecido depois de seu desligamento, soma R$ 278 mil, equivalente ao salário mensal anterior de R$ 46,3 mil.

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A Comissão de Ética Pública (CEP) confirmou a necessidade da quarentena depois que Agatte consultou o órgão sobre uma proposta para atuar como diretora de relações governamentais na Edelman, que se apresenta como agência global dedicada a construção e proteção de marcas e reputações empresariais.

Conflito de interesses com os Correios e decisão da CEP

A atuação de Agatte nos Correios ocorreu de 25 de outubro de 2023 a 4 de novembro de 2025, depois de indicação do PT. A CEP avaliou que o novo cargo traz sobreposição direta com atividades exercidas por ela na estatal, além de potencial conflito de interesses.

O conselheiro relator, Manoel Caetano Ferreira Filho, explicou que “a sobreposição entre as áreas de atuação da estatal e da proponente comprometeria a necessária neutralidade das relações negociais e institucionais, permitindo, ainda que de forma potencial, utilização de informações estratégicas e privilegiadas em benefício de ente privado específico”.

No cargo anterior, Agatte tratava de temas ligados a governança, sustentabilidade e projetos estratégicos. Em formulário enviado à CEP, ela reconheceu acesso a informações confidenciais e admitiu o risco de conflito decorrente da proposta da Edelman.

A posição ofertada na Edelman prevê liderança de equipes e projetos voltados ao setor de logística e comércio eletrônico, incluindo gestão de clientes, relações institucionais e contato com órgãos públicos e autoridades. Entre as tarefas, estão estratégias de advocacy e monitoramento regulatório para clientes desses setores.

Porta giratória e medidas de restrição

Na avaliação da CEP, a quarentena serve para evitar práticas como a “porta giratória”, em que ex-gestores públicos podem usar sua experiência e rede de contatos para beneficiar empresas privadas. A decisão destaca que a ocupação anterior de Agatte proporcionou uma rede de relacionamentos institucionais que, se usada no setor privado, pode gerar vantagens competitivas, especialmente na defesa de interesses privados com a Administração.

Durante o período de restrição, Agatte está proibida de divulgar ou usar informações confidenciais obtidas nos Correios, além de não poder exercer atividades relacionadas ao novo cargo até o fim da quarentena.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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