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Política

Conselho da OAB aprova proposta para 'driblar' STF

Ordem dos Advogados do Brasil vai encaminhar PEC ao Congresso Nacional que visa a assegurar o direito a sustentações orais

STF oab
Parte do plenário do STF durante sessão; Corte está na mira de PEC em elaboração pela OAB | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O conselho pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que será enviada ao Congresso Nacional para assegurar o direito dos advogados às sustentações orais. Trata-se do momento em que a defesa expõe seus argumentos antes do julgamento.

O texto passa por ajustes na redação. Por isso, a íntegra do material ainda não foi divulgada pela entidade.

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Segundo o comunicado divulgado pela OAB, a proposta prevê tornar as sustentações orais obrigatórias. Isso em “todas as fases decisivas do processo judicial, sob pena de nulidade das decisões”, especialmente no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Os Tribunais Superiores têm impedido as sustentações em algumas modalidades de recursos e pedidos, como agravos, embargos, petições de suspeição e medidas cautelares. A regra foi incluída nos regimentos internos do STF, do Tribunal Superior Eleitoral e do Superior Tribunal de Justiça.

As justificativas da OAB em favor das argumentações orais no STF

OAB delegado Roma
OAB vai enviar PEC para o Poder Legislativo; entidade quer assegurar o direito a sustentações orais em todos os tribunais | Foto: Divulgação/OAB

A OAB propõe a inclusão de dois novos parágrafos na Constituição. O primeiro prevê o direito à sustentação oral, em sessões presenciais e virtuais, nos julgamentos colegiados em todas as instâncias. O segundo restringe a capacidade dos órgãos do Poder Judiciário de “limitar, restringir ou excluir as hipóteses legais de intervenção da advocacia no processo, particularmente a sustentação oral”. Ou seja, é uma tentativa de blindar eventuais reações dos tribunais pela via administrativa.

“Esta é a causa do nosso ganha-pão, da defesa dos direitos e garantias, do direito de defesa, das prerrogativas profissionais”, defendeu o presidente da OAB, Beto Simonetti, na sessão que aprovou o texto.

Simonetti procurou o STF para conversar sobre o assunto ao longo dos últimos dois anos. O presidente da OAB chegou a se reunir com o atual presidente do Tribunal, o ministro Luís Roberto Barroso, e com a ministra Rosa Weber, sua antecessora, além do ministro Alexandre de Moraes.

A avaliação, no entanto, é que os ministros ouviram, mas não demonstraram disposição para promover mudanças. Sem um aceno concreto do STF, o presidente da OAB concluiu que o diálogo não terá mais efeito prático. O caminho encontrado foi a via legislativa. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), foi procurado e já está atualizado sobre a iniciativa.

Debates sobre a PEC

Congresso - 8 de janeiro
De acordo com as informações, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) já está a par da PEC da OAB | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A PEC vem sendo debatida na cúpula da OAB há pelo menos cinco meses. Conselheiros têm agido cuidadosamente para evitar que a proposta seja lida como uma agressão ao STF ou uma ruptura com o tribunal. Há um esforço para evitar a politização da iniciativa, depois do período turbulento do 8 de janeiro.

“Nossa causa na busca pela PEC é, sem dúvida, uma das expressões mais legítimas da defesa contínua que fazemos das prerrogativas da advocacia”, afirmou Simonetti. “Precisamos manter nosso foco, sem permitir que nossa agenda seja distorcida ou politizada por interesses alheios aos da classe.”

A PEC começou a ganhar força em novembro do ano passado, depois que o ministro Alexandre de Moraes barrou um advogado de fazer sustentação oral. Ele argumentou que o direito não está previsto no julgamento de recursos.

“A OAB vai lançar outra nota contra mim, vão falar que eu não gosto do direito de defesa”, disse Moraes. “Vai dar mais uns quatro mil tuítes dos meus inimigos. Então vamos fazer, doutor, a festa do Twitter, das redes sociais.”

A limitação das sustentações orais não é a única fonte de insatisfação dos advogados com o STF. A relação vem sendo “estressada” em outras frentes. O julgamento das ações penais dos atos golpistas do 8 de janeiro, por exemplo, gerou forte reação da categoria. Uma comissão da OAB elaborou um projeto de lei para proibir a análise de ações criminais no plenário virtual do STF.

A OAB também se mobilizou para garantir que os advogados tivessem acesso aos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos organizados no feriado de 7 de Setembro de 2021 e aos processos correlatos conduzidos por Moraes.


Revista Oeste, com informações da Agência Estado

9 comentários
  1. José Eduardo Ferreira Prado de Carvalho
    José Eduardo Ferreira Prado de Carvalho

    Podem aprovar o que bem lhes aprouver, o STF vai lá e mostra quem é que manda, sapeca-lhe que é inconstitucional no meio da fuça e te aquieta.

  2. jorge alves
    jorge alves

    OAB LIRA PACHECO e DEMAIS ORGÃOS que o valham estão só de BLÁ BLÁ não resolvem nada acorda BRASIL ACOERDA ainda há tempo ..

  3. julio bento da silva bento
    julio bento da silva bento

    A OBRA AMALDIÇOADA de BOSTAS agora VAI SE MANIFESTAR? iNDO EM DIREÇÃO AS ONDAS. ACORDARAM VAGABUNDOS?

  4. carlos
    carlos

    Coitado do Mendonça, sentado entre aquelas criaturas nefastas e do mal.
    Deve ter que se benzer e tomar banho de sal grosso todos os dias.

  5. elvio zanini
    elvio zanini

    Em Descisões para obter firmeza , confiânça , deve o Julgamento de causas , por todos os Juíses Credenciados aos Ofícios em que Estão nos Direitos e Deveres da Constituição Federal.

  6. Luiz Augusto Ribeiro Do Valle
    Luiz Augusto Ribeiro Do Valle

    “Atos golpistas” revista oeste?!

  7. arnaldo botelho barbosa
    arnaldo botelho barbosa

    Quando impedem o advogado de fazer a sustentação oral da sua tese de defesa ,indubitavelmente estão cerceando o direito a ampla defesa do acusado, afrontando, pois, a Constituição Federal. Com razão a OAB.

    de defesa, indubitavelmente estão cerceando o direito a ampla defesa e ao contraditório assegurados constitucionalmente ao acusado. Com razão a OAB..

  8. Giuliano
    Giuliano

    “Libertas quae sera tamen”. Liberdade antes que tardia. A OAB acordou, Graças a Deus, para combater o abuso que tem dia e hora para acabar. Não tenham dúvidas disso!

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