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Política

Condenada pelo 8 de janeiro chora morte de filho no exílio

Fabíola Rocha divulga carta aberta contra o sistema brasileiro depois de perder o caçula

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Fabíola Rocha, condenada a 17 anos pelo 8 de janeiro, e sua família | Foto: Divulgação/Acervo Pessoal

A rondoniense Fabíola Rocha da Silva, de 49 anos, decidiu quebrar o silêncio sobre sua situação na Argentina. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 17 anos de prisão, a ex-gerente de mercado saiu do Brasil em abril de 2024 para evitar a pena. Em carta aberta publicada nesta semana, ela descreve a dor de enterrar o filho caçula por videochamada.

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O jovem Guilherme, de 17 anos, morreu em janeiro deste ano, em Porto Velho. Ele já estava com passagens compradas para visitar a mãe no exílio logo que as férias chegassem. Fabíola relata que o último contato físico com o rapaz ocorreu no portão de casa, dois anos atrás, quando ela iniciou a fuga de 3 mil quilômetros até a fronteira.

Luto e política no Congresso

O desabafo da exilada surge no momento em que o Congresso Nacional analisa o veto de Lula ao projeto que reduz penas de condenados pelo 8 de janeiro. Fabíola passou sete meses presa na Penitenciária da Colmeia, em Brasília, antes de buscar refúgio no país vizinho. Ela afirma que a pátria que persegue mães se transformou em “algoz”.

A carta detalha a rotina de medo e a dificuldade de viver em um idioma estrangeiro enquanto carrega o luto. Fabíola afirma que o Estado brasileiro trocou a democracia pela perseguição e que o medo de nunca mais ver os outros três filhos é uma forma de tortura. “Exílio é enterrar um filho longe”, escreveu a rondoniense.

Direito de defesa e manifestação

A defesa da ex-gerente sempre sustentou que ela apenas exerceu o direito de se manifestar. Na carta, Fabíola reforça que foi expulsa do próprio país por pensar diferente do sistema atual. Ela critica a severidade da pena e a ameaça constante de extradição que paira sobre os brasileiros refugiados na Argentina.

A jornalista Ana Cemin, que divulgou o texto original, destaca que o caso de Fabíola ilustra a realidade de centenas de famílias separadas pelos eventos de 2023. Para a condenada, a distância forçada transformou uma passagem de avião em lápide. Ela encerra o texto com promessa de que a história contará como o governo separou uma mãe de seu filho.

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