publicidade
Política

Comissão de Agricultura do Senado aprova marco temporal das terras indígenas

Texto segue, agora, à Comissão de Justiça

Marco temporal
Comissão de Agricultura do Senado aprovou por 13 votos a 3 o marco temporal das terras indígenas | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou o projeto de lei que estabelece o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Foram 13 votos a favor e três contrários. A matéria vai, agora, para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, para o plenário. O marco temporal já foi aprovado na Câmara, no fim de maio, depois de tramitar por mais de 15 anos.  

“Convicta de que a data da promulgação da Constituição federal, de 5 de outubro de 1988, representa parâmetro apropriado de marco temporal para verificação da existência da ocupação da terra pela comunidade indígena”, Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora no Senado, concedeu parecer favorável ao marco temporal e rejeitou as dez emendas apresentadas por senadores. 

Receba nossas atualizações

+ CNA vê cenário de insegurança jurídica se STF acabar com marco temporal

Para a senadora, não é razoável nem legítimo incluir no conceito de “terras tradicionalmente ocupadas”, previsto no artigo 231 da Constituição, “uma ocupação que regresse a um marco temporal imemorial, ou seja, ocupação a tempo atávico, a períodos remotos, que, no limite, poderia gerar disputa sobre todo o território nacional”.

A relatora também argumenta que a adoção do marco temporal, bem como os demais dispositivos do projeto, atendem tanto ao que determina a Constituição quanto ao entendimento do STF estabelecido em 2013 no julgamento em que os ministros consideraram constitucional a demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Terra do Sol, em Roraima.

Integrante da comissão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse que o marco temporal é um avanço e “vai trazer segurança jurídica para todos os lados, produtores rurais e indígenas,  inclusive mais tranquilidade para o governo”. 

Jorge Seif (PL-SC) avaliou que o texto aprovado está de acordo com a Constituição. 

“Esse marco temporal precisa ser votado. Nós sabemos que nós temos que respeitar os nossos indígenas, mas também precisamos entender que nós não podemos causar um problema, causar uma guerra no campo sobre as propriedades que estão lá há mais de cem anos, com títulos e que foram escrituradas. Esses produtores têm direito também a suas propriedades”, afirmou o senador Jaime Bagattoli (PL-RR).

Os três senadores petistas da Comissão de Agricultura — Humberto Costa (PE), Fabiano Contarato (ES) e Jaques Wagner (BA) — votaram contra o marco temporal.

O diz o texto do projeto do marco temporal aprovado na comissão do Senado

marco temporal - stf - demarcação de terras indígenas - interno
Marco temporal também deve ser discutido no STF; quando o projeto foi colocado em pauta, em junho, grupos indígenas acamparam nas proximidades da Praça dos Três Poderes, em Brasília | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Conforme o texto aprovado na Comissão de Agricultura, para que uma área seja considerada “terra indígena tradicionalmente ocupada”, será preciso comprovar que, na data de promulgação da Constituição, ela vinha sendo habitada pela comunidade indígena em caráter permanente e utilizada para atividades produtivas.

Também será preciso demonstrar que essas terras eram necessárias para a reprodução física e cultural dos indígenas e para a preservação dos recursos ambientais necessários ao seu bem-estar.

No caso de o local pretendido para demarcação não estar habitado por comunidade indígena em 5 de outubro de 1988, fica descaracterizada a ocupação permanente exigida em lei, exceto se houver “renitente esbulho” na mesma data.

+ STF ignora marco temporal e define que terra indígena se dá por ‘tradicionalidade’ 

Isso quer dizer que será preciso comprovar o conflito pela posse da terra naquela ocasião. Assim, terras não ocupadas por indígenas e que não eram objeto de disputa na data do marco temporal não poderão ser demarcadas.

O projeto também proíbe a ampliação das terras indígenas já demarcadas e declara nulas as demarcações que não atendam aos seus preceitos.

+ Contra o marco temporal, indígenas bloqueiam rodovias

Quanto houver demarcação, os ocupantes não indígenas terão direito à indenização pelas benfeitorias de boa-fé, assim entendidas aquelas erguidas na área até a conclusão do procedimento demarcatório. 

No caso em que não couber demarcação, para garantir ao proprietário o direito à indenização, o projeto inclui na Lei das Desapropriações (Lei 4.132/1962) a possibilidade de desapropriar áreas para destiná-las às comunidades indígenas que não se encontravam em área de ocupação tradicional na data do marco temporal, desde que necessárias à sua reprodução física e cultural.

+ Ministro André Mendonça vai participar do julgamento do marco temporal

O Supremo Tribunal Federal (STF) também analisa o assunto, para definir se a promulgação da Constituição pode servir como marco temporal para essa finalidade — entendimento aplicado pelo tribunal quando da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol.

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    O PT sempre quis manter os índios na condição de um povo primitivo, um tipo de museu antropológico vivo. Será que os índios atuais querem viver “da caça, da pesca e do plantio da mandioca”? O PT não os considera brasileiros, nega-lhes esse direito. Na verdade, a esquerda, que não reconhece o conceito de “pátria” utiliza os índios para manter a Amazônia sob o controle das ONG internacionais, com suas riquezas longe do alcance do Brasil, sob a alegação que estão em terras indígenas. Mas, afinal, todos sabemos que o sub sola e as suas riquezas pertencem à União, não pertencem aos ocupantes da terra. Mas, como ali só entram as ONG, as riquezas ficam à disposição das mesmas.

  2. Christian
    Christian

    Ufa ! 16 anos para aprovar o que já estava escrito na Constituição de 1988.
    Já era tempo.

  3. carlos roberto de moura
    carlos roberto de moura

    É facil perceber que o marco temporal é bom para o Brasil. Basta ver que a Senadora Tereza Cristina votou a favor e o PT contra.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade