publicidade
Política

Centrão recebeu mais de metade das emendas do governo na última semana

Nos últimos dias de junho, gestão de Lula liberou R$ 2,3 bilhões em emendas parlamentares; 59% dos recursos foram a partidos de centro

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro com o presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre, e presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta, no Palácio do Planalto, em Brasília, em alusão à nota sobre o Centrão receber mais emendas do governo
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro com o presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre, e presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta, no Palácio do Planalto, em Brasília | Foto: Ricardo Stuckert / PR

No final de junho, o governo federal liberou um volume recorde de emendas parlamentares em 2025 que somou R$ 2,3 bilhões somente na última semana do mês. Mais da metade desse montante, equivalente a 53%, foi a partidos do centrão, enquanto o porcentual efetivamente pago ao bloco chegou a 59%, segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop).

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

O levantamento mostra que, até agora, o governo empenhou R$ 3,13 bilhões em emendas. Apesar disso, o valor já pago é menor, somando cerca de R$ 940 milhões. As emendas individuais, indicadas por parlamentares de forma impositiva, representam a maior fatia desses recursos. Não houve destinação para emendas de comissões, alvo de críticas do Supremo Tribunal Federal (STF) desde o ano passado.

Há uma distinção entre esses conceitos, que se dividem em emendas empenhadas, emendas liquidadas e emendas pagas. A primeira é aquela que o governo reserva para haver a permissão da execução. Contudo, o valor liberado nem sempre se refere ao total solicitado na emenda.

Já a segunda é aquela cuja execução o governo já autorizou, enquanto a terceira é aquela efetivamente paga na execução do pretendido pela emenda.

Predomínio das emendas individuais e atuação parlamentar

No total, os parlamentares apresentaram 8.861 emendas, das quais 1.510 foram empenhadas, 560 liquidadas e 492 efetivamente pagas. Entre as pagas, apenas três eram emendas de bancadas, somando R$ 2,2 milhões, enquanto os R$ 938 milhões restantes se referem a emendas individuais. Essa dinâmica reflete a predominância da atuação individual dos deputados no processo de liberação de recursos.

Os partidos no Congresso dividem-se tradicionalmente entre base de apoio ao governo, oposição ao governo e Centrão. A base governista inclui PT, PSB, PC do B, PV e Psol. Na oposição, destacam-se o PL e o Novo. O centrão, formado por siglas como PP, União Brasil, PSD e Republicanos, oscila entre apoiar e se opor ao Executivo. O bloco informal frequentemente ocupa cargos em ministérios, mas nem sempre acompanhando o governo em votações.

Estratégias e resultados na liberação de recursos

Lula Fachada do Congresso Nacional, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, em Brasília (DF); em alusão à nota sobre a CPMI do INSS
Fachada do Congresso Nacional, que abriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, em Brasília (DF) | Foto: Divulgação/ Senado Federal

O governo utiliza frequentemente a liberação de emendas como estratégia para atrair apoio do centrão a projetos que o Executivo pretende emplacar no Legislativo. Apesar disso, o PL, que integra a oposição e tem a maior bancada, foi o partido mais favorecido, ficando com 17,7% das emendas indicadas e liberadas nesta semana, o que representa R$ 418 milhões. No acumulado, o partido recebeu R$ 520 milhões. Em seguida vieram MDB (11,8%), PSD (11,7%) e PT (11,5%) entre os principais beneficiados.

Leia mais: “O Congresso humilha o governo”, artigo de Silvio Navarro publicado na Edição 275 da Revista Oeste

Esses números demonstram o esforço do governo para evitar derrotas no Congresso, como na votação que rejeitou os decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o IOF. Mesmo com a distribuição das emendas, tanto a Câmara quanto o Senado votaram majoritariamente pela derrubada das medidas propostas pelo Executivo.

Distribuição ao centrão e impactos no Senado e na Câmara

No Senado, a distribuição das emendas seguiu tendência semelhante, com recebimento pelo centrão de 46% do total empenhado. A base governista do Senado ficou com 37%, enquanto a oposição recebeu 16%.

Nas emendas pagas, o União Brasil, partido do presidente do Senado Davi Alcolumbre (AP), liderou com R$ 130 milhões recebidos. O PSD ficou próximo, com R$ 118 milhões, seguido do PL, que recebeu R$ 117 milhões. O PT ocupou a quinta posição, totalizando R$ 99 milhões, atrás do MDB, que recebeu R$ 108 milhões.

Leia também: “Raio-X de um governo taxador”, reportagem de Anderson Scardoelli publicada na Edição 275 da Revista Oeste

Na Câmara dos Deputados, dos R$ 702 milhões pagos em emendas aos deputados federais, 58% beneficiaram partidos do centrão, enquanto 28% foram para a base aliada e 14% ficaram com a oposição.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.