publicidade
Política

Celso de Mello faz carta em defesa de código de conduta no STF

O ex-ministro elogia a iniciativa de Edson Fachin e afirma que regras éticas são essenciais para a credibilidade da Corte

notícia-crime - augusto heleno - celso de mello
Celso de Mello deixou o STF em 2020 | Foto: Ascom/STF

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello divulgou, nesta quinta-feira, 22, uma carta em defesa da proposta de criação de um código de conduta para estabelecer diretrizes éticas à atuação de magistrados. A iniciativa partiu do atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Para Celso de Mello, a proposta merece reconhecimento público por representar uma tentativa institucional de preservar a integridade moral, o espírito republicano e a respeitabilidade do STF. Ele elogiou a condução de Fachin e mencionou a aposta no diálogo e na busca de soluções compartilhadas para alcançar consenso.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Para o ex-ministro, a autoridade de uma Corte Constitucional “não se sustenta em protagonismos individuais, mas na força do consenso possível, na transparência dos procedimentos e no estrito cumprimento do dever de guarda da Constituição”. A carta foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo.

Toffoli - Master
Pouco antes de assumir o inquérito do Master, Toffoli viajou ao lado de um advogado que representa um dos diretores do banco| Foto: Reprodução/Cristiano Estrela/NCI TJSC/Flickr

Mello ressaltou a relevância do código em “tempos de imensa polarização”. Segundo ele, regras de conduta podem fortalecer a confiança da sociedade no sistema de Justiça. Nesse sentido, lamentou que controvérsias recentes tenham agravado o cenário institucional.

“Quando episódios envolvendo membros da Corte se transformam em combustível para narrativas de desgaste, o que se coloca em risco não é a biografia deste ou daquele magistrado, mas a credibilidade, a dignidade e a respeitabilidade do próprio tribunal enquanto instância de contenção, equilíbrio e pacificação constitucional”, afirmou.

O ministro aposentado também manifestou preocupação com o que classificou como tentativas de desqualificar a iniciativa de Fachin por meio de críticas apressadas, injustas e retóricas. Para Mello, as críticas buscam enfraquecer a legitimidade do STF.

Ministro Edson Fachin, presidente do Supremo | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ex-ministro afirmou ainda que, ao agir para resguardar a integridade moral da Corte, o atual presidente do STF não atende a conveniências momentâneas nem promove autoproteção corporativa, mas protege a própria ideia de Justiça constitucional, cuja autoridade se apoia, antes de tudo, na confiança pública.

“Criticar essa iniciativa como se fosse fragilidade ou manobra é inverter a lógica republicana: a prudência institucional não é concessão, mas dever; a colegialidade não é subserviência, mas forma legítima de preservar, democraticamente, a unidade do tribunal”, concluiu.

Fachin defende código de conduta no STF há anos

A discussão sobre um código de conduta no STF não é nova. Fachin defende a ideia há anos, mas o tema ganhou força fora da Corte depois de o jornal O Globo revelar que o ministro Dias Toffoli, relator do caso Master, viajou com o advogado de um dos diretores do banco. Desde então, as críticas à atuação de Toffoli se intensificaram.

Atuação de ex-mulher de Toffoli no STF e STJ cresceu 140% desde a posse do ministro
Toffoli e a mulher, Roberta Maria Rangel, na cerimônia de posse do ministro, em setembro de 2018 | Foto: Reprodução/X

Internamente, parte dos ministros avalia que o STF vive um momento sensível e que a adoção de um código pode expor ainda mais a Corte, ampliando críticas aos magistrados. O desafio de Fachin, nesse contexto, é avançar com a proposta sem se isolar.

Um grupo minoritário de ministros defende a ideia de que, se o Supremo não debater o tema, a Corte acabará sendo debatida pela opinião pública.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Fachin afirmou que não pretende impor o código “goela abaixo” e tem investido em conversas individuais para reduzir resistências.

Plenário do Supremo Tribunal Federal com ministros togados durante sessão de julgamento, bandeira do Brasil e crucifixo ao fundo.
Os ministros do STF analisam questões constitucionais | Foto: Divulgação/STF

Ele já se reuniu pessoalmente com Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes; conversou virtualmente com André Mendonça; e tratou do assunto por telefone com Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Também viajou ao Maranhão para conversar com Flávio Dino.

Cármen Lúcia já teria manifestado apoio à proposta. Outros ministros, embora cautelosos, dizem estar abertos à ideia, mas afirmam que precisam conhecer o conteúdo do código antes de se posicionar, uma vez que ainda não há um texto definitivo.

As conversas também abordaram o caso Master. Mesmo de férias, Fachin decidiu retornar a Brasília para tentar reduzir tensões e eventuais desgastes à imagem do STF. Segundo interlocutores, ele avaliou que o momento exigia sua presença na capital.

Rosa Weber
Ex-ministra Rosa Weber | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Além de Celso de Mello, outros ex-ministros do Supremo, como Rosa Weber, manifestaram apoio ao código de conduta. Rosa chegou a tentar avançar com iniciativa semelhante durante sua presidência, mas a proposta não prosperou.

Pouco depois de Fachin assumir a presidência do STF, em setembro, a Fundação Fernando Henrique Cardoso encaminhou à Corte um documento com recomendações, entre elas a adoção de um código de conduta.

A principal referência de Fachin seria o modelo alemão, que prevê a divulgação de ganhos financeiros de juízes com palestras e atividades no setor privado, estabelece que essas atividades não podem prejudicar a função jurisdicional e determina que declarações e comportamentos de magistrados não comprometam a reputação do tribunal.

Leia também: “Um Judiciário fora da lei“, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 306 da Revista Oeste

12 comentários
  1. CARLOS GUEDES
    CARLOS GUEDES

    Esse imbecil devia continuar calado. Como Ministro foi um desqualificado.
    Ou como disse Saulo Ramos: MINISTRO DE MERDA.

  2. Carlos Eduardo Limongi Saliba
    Carlos Eduardo Limongi Saliba

    Honestidade, Ética e Educação não provem de Leis e sim de BERÇO.

  3. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Desqualificado, hipocrita, canalha , esse pavão que suja a reputação da cidade de Tatuí graças ao divino está fora do STF.

  4. PCC
    PCC

    Esse aí é mais um rato que até pouco tempo infestava o STF.

    1. Wilton Lázaro de Araújo
      Wilton Lázaro de Araújo

      Esse STF que está aí é o pior que o Brasil já te

    2. Wilton Lázaro de Araújo
      Wilton Lázaro de Araújo

      teve, com algumas exceções de 3 ou 4 ministros. O resto deles foram indicados por mera manotras políticas, justamente para salvaguarda os interesses deste partido nefasto chamado PT. Até pouco tempo uma das ministras categorizou que o cala boca só valeria até amanhã. A maioria deles estão enterrados em falcatruas, conchavos milionários.

  5. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    CÓDIGO DE CONDUTA PRA ESSE SUPREMO , SÓ TEM UM…IMPITCHMENT DE TODOS !
    ELE É TÃO RESPONSÁVEL QUANTO ESSES CANALHAS QUE ESTÃO AÍ…
    EM 2019 QUANDO CRIARAM O INQUÉRITO DO FIM DO MUNDO… PATEU PALMAS !
    NÃO TEM MORAL PRA DAR PITACO !

  6. Julio José Pinto Eira Velha
    Julio José Pinto Eira Velha

    O PCC também seu código de conduta, quanto a Celso de Mello, não passa de um ex ministro de merda, palavras de Saulo Ramos, ministro da justiça de Sarney, e responsável pela indicação do merda para o STF.

  7. Rosely M G Goeckler
    Rosely M G Goeckler

    Que Código de Conduta?

    Basta Seguir a Constituição!

  8. Álvaro Afonso Torres de Freitas
    Álvaro Afonso Torres de Freitas

    Código de Conduta …. partindo desse Ministro? Logo ele que não se deu ao respeito, faltando justamente Conduta na Lava Jato e na soltura do Nine?
    Inacreditável…..

  9. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    Ele, quando lá se encontrava, fez vistas grossas ao desmonte da Lba Jato e soltura de Lula. Não deve dar pitaco sobre. Nada

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.