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Política

Câmara libera advogados da União para trabalhos na iniciativa privada

Regra permite atuação no setor privado para integrantes de diversos setores do funcionalismo público; opositores veem riscos de conflito

Prédio da AGU, em Brasília: projeto conflitante | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Prédio da AGU, em Brasília: projeto conflitante | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que autoriza advogados da União, procuradores federais, procuradores da Fazenda Nacional e procuradores do Banco Central a exercerem advocacia privada fora das atribuições no serviço público. A proposta tramita em caráter conclusivo e seguirá para análise do Senado, caso não haja recurso para votação no plenário da Câmara.

O texto altera regras da Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União (AGU), que atualmente proíbe integrantes dessas carreiras de atuarem na iniciativa privada. A proposta prevê, porém, restrições para evitar conflitos de interesse.

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Advocacia com restrições

Pelo projeto, os membros da AGU não poderão atuar contra a União, autarquias, fundações públicas, empresas públicas ou sociedades de economia mista. Também ficará proibido o exercício da advocacia privada para quem ocupar cargo em comissão ou função de confiança.

Além disso, os profissionais interessados em atuar no setor privado terão de comunicar previamente a AGU, que deverá manter uma lista pública e atualizada dos integrantes autorizados a exercer advocacia particular. A fiscalização ficará sob responsabilidade da Corregedoria-Geral e da Comissão de Ética do órgão.

Leia também: “Onde a toga não acoberta corruptos”, reportagem publicada na Edição 320 da Revista Oeste

O relator da proposta na CCJ, deputado Felipe Francischini (União-PR), afirmou que o projeto garante o direito ao exercício profissional sem deixar de estabelecer salvaguardas éticas. Defensores da medida argumentam que procuradorias estaduais e municipais já permitem atuação semelhante em diversos Estados.

A proposta, no entanto, provocou críticas entre operadores do Direito e servidores públicos. Em discussões nas redes sociais e fóruns jurídicos, usuários apontaram risco de conflito de interesses, uso da estrutura pública para captação de clientes e possível prejuízo à dedicação exclusiva dos procuradores.

O debate ganhou força em meio às discussões recentes sobre remuneração das carreiras jurídicas e honorários pagos a integrantes da AGU. Nos bastidores do funcionalismo, membros da advocacia pública defendem maior flexibilização profissional, enquanto críticos afirmam que a medida pode ampliar privilégios dentro do serviço público federal.

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2 comentários
  1. Sergio Hora
    Sergio Hora

    Servidor público com tempo livre para atuar na iniciativa privada?
    Talvez sela desnecessário no serviço público.

  2. Carlos Augusto Olivé Malhadas
    Carlos Augusto Olivé Malhadas

    vai ter conflito de interesses e tráfico de influência

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