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Política

Candidato à presidência da CBF enfrenta processos trabalhistas

Para quitar R$ 24 mil em dívidas com empregados, bens de Samir Xaud foram bloqueados pela Justiça entre 2016 e 2017

Samir Xaud é o único candidato à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) | Foto: Divulgação/CBF
Samir Xaud é o único candidato à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) | Foto: Divulgação/CBF

O candidato único à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, tem seu nome envolvido em antigos processos trabalhistas em Boa Vista, Roraima.

Durante sua gestão como sócio de uma loja de móveis, enfrentou bloqueios judiciais de bens para pagamento de dívidas trabalhistas, totalizando pelo menos R$ 24 mil.

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Essas ações ocorreram principalmente nos anos de 2016 e 2017 e resultaram em acordos depois de a Justiça determinar bloqueios de veículos, imóveis e busca de saldos bancários em nome de Xaud.

As reclamações dos funcionários da Difratelli Móveis incluíam atrasos em salários, valores de rescisão, falta de depósito do FGTS e retenção das carteiras de trabalho.

Os processos contra o candidato à presidência da CBF

Foto da sede da CBF no Rio de Janeiro
Sede da CBF no Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/ESPN

Em um caso citado nos autos, uma ex-funcionária contou que foi recebida aos gritos ao cobrar dívidas trabalhistas em 2016. Na época, Xaud já não aparecia oficialmente como sócio da empresa, mas a Justiça entendeu que ele ainda era responsável pelas dívidas, já que os contratos foram assinados quando ele ainda era sócio. Isso está previsto no Código Civil e na CLT.

A lei determina que ex-sócios continuam respondendo por dívidas trabalhistas relacionadas ao período em que fizeram parte da empresa, desde que a ação seja movida em até dois anos depois da saída. Nesse caso, a Justiça tentou acionar os novos donos, mas como não encontrou bens em nome deles, a cobrança foi direcionada a Xaud e à mulher dele, Natália, que também foi sócia.

Ao todo, Xaud foi citado em cinco processos trabalhistas. Em um deles, um projetista entrou em acordo com ele e os outros sócios, homologado pela Justiça. Mas o pagamento de R$ 9.400 só foi feito depois de bloqueio de valores nas contas de Xaud e Natália, por descumprimento do acordo em janeiro de 2017.

Em outro processo, o juiz apontou sinais de que os sócios abandonaram a empresa, já que não responderam às intimações. Documentos mostram que entre 2013 e 2016, Xaud e a esposa eram os únicos sócios da loja.

A troca no comando da CBF acontece depois do afastamento de Ednaldo Rodrigues pelo Tribunal de Justiça do Rio, acusado de se beneficiar de uma assinatura falsa em um acordo interno.

Defesa de Xaud e outros episódios polêmicos

Procurado pelo jornal Folha de S. Paulo, Xaud disse, por meio de nota, que “desconhece qualquer processo trabalhista em que tenha descumprido obrigações legais ou decisões judiciais” e afirmou que “sempre atuou de forma regular, tanto na esfera pública quanto privada, cumprindo integralmente seus deveres legais, fiscais e trabalhistas”.

Segundo ele, mantém “compromisso com a ética, a legalidade e a transparência em todas as áreas de sua atuação”.

Além das ações na Justiça do Trabalho, reportagens recentes trouxeram outros episódios envolvendo Xaud. Uma delas, do UOL, disse que ele tentou regularizar um terreno em área ambiental em Roraima — o que ele nega. Já o jornal O Globo publicou que Xaud foi suspenso por dois anos como perito médico do Tribunal de Justiça de Roraima, por um suposto erro em um laudo. Ele também contesta essa informação.

Médico, Xaud assumiu há pouco tempo o comando do futebol em Roraima, no lugar do pai, Zeca Xaud. Para a eleição marcada para domingo, ele foi o primeiro a se inscrever e garantiu apoio de 25 federações estaduais e dez clubes. Com esse número, inviabilizou outras candidaturas, já que o regulamento exige o apoio de pelo menos oito federações para formalizar uma chapa.

Leia também: “Outro 7 a 1”, reportagem de Augusto Nunes e Eugenio Goussinsky para a Edição 269 da Revista Oeste

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