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Política

Câmara de Londrina (PR) aprova internação involuntária de dependentes químicos

Projeto prevê acolhimento de pessoas com transtornos mentais ou em situação de vulnerabilidade

Vereadora Jessicão, do PP de Londrina
Vereadora Jessicão, do PP de Londrina | Foto: Fernando Cremonez/ Divulgação CML

A Câmara Municipal de Londrina (PR) aprovou, em segunda votação, o Projeto de Lei nº 50/2024, de autoria da vereadora Jessicão (PP), que cria regras para a internação involuntária no município. A medida, segundo a parlamentar, busca oferecer respaldo legal para o acolhimento e o tratamento de pessoas em vulnerabilidade extrema, especialmente dependentes químicos crônicos e com transtornos mentais.

A aprovação ocorreu na terça-feira 12. O texto do projeto autoriza a internação quando houver risco à integridade física do próprio indivíduo ou de terceiros. A solicitação poderá ser feita por familiar, responsável legal ou, na ausência destes, por profissional de saúde. A proposta se aplica a transtornos mentais preexistentes ou adquiridos.

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O projeto prevê atuação integrada entre assistentes sociais, profissionais de saúde e Guarda Municipal, que dará suporte durante o recolhimento. A medida complementa o programa municipal Choque de Ordem, que intensifica ações com a população de rua, oferecendo abrigo, retorno à cidade de origem ou tratamento.

A proposta do projeto recebeu 15 votos favoráveis e dois contrários. Votaram contra as vereadoras Paula Vicente (PT) e professora Flávia Cabral (PP). Já os vereadores Antônio Amaral (PSD) e Chavão (Republicanos) não participaram da sessão.

O projeto segue para redação final antes da sanção do prefeito.

Vereadora de Londrina cita caso extremo

Para Jessicão, a medida é “uma ferramenta para salvar vidas e resgatar pessoas”. Ela afirma que muitos dependentes, depois de 90 dias de abstinência, recuperam a memória, restabelecem laços familiares e retomam a vontade de viver.

“A internação é uma segunda chance para voltarem a trabalhar, conviver em sociedade e deixar as ruas”, disse, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo. “Londrina não pode se tornar a capital dos moradores de rua”, declarou.

A vereadora relatou que a motivação da proposta foi o caso de um morador de rua com câncer avançado na boca que não aceitava tratamento. “Foi preciso envolver Ministério Público, saúde, assistência social, Guarda Municipal e polícia para conseguir levá-lo ao hospital”, disse.

Paula Vicente criticou a medida. Segundo a petista, a taxa de adesão ao tratamento compulsório é de 3% e, por isso, é ineficaz. “Você gasta dinheiro público para colocar alguém em uma clínica contra a sua vontade, mas a maioria não segue no tratamento e volta para a rua”, disse.

A vereadora Paula Vicente (PT), de Londrina
A vereadora Paula Vicente (PT), de Londrina | Foto: Fernando Cremonez/ Divulgação CML

A parlamentar argumentou também que dependência química não é crime e que obrigar internação sem delito é inconstitucional. Paula Vicente defendeu alternativas, como o modelo Housing First, adotado no exterior, que prioriza moradia, apoio social e tratamento voluntário.

Câmara proíbe uso de praças como moradia

Na mesma sessão, a Câmara aprovou, em primeira votação, o Projeto de Lei nº 72/2024, também de autoria de Jessicão. O texto proíbe ocupação de praças para moradia ou atividades habituais, como cozinhar, higienizar-se ou fazer necessidades fisiológicas. Pessoas nessas condições serão encaminhadas ao Centro POP, que atende moradores de rua.

A medida recebeu 14 votos favoráveis e três contrários, também de Paula Vicente e da professora Flávia Cabral, além do vereador Matheus Thum (PP). Haverá prazo de sete dias úteis para apresentação de emendas antes da segunda votação.

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1 comentário
  1. Refletindo internamente
    Refletindo internamente

    O Brasil esta tentando acabar com masocomios desde 2002, e querem fazer internação involuntaria? isto é, vao pegar a pessoa a força e prender ela em um local que ela nao quer? essa lei pode ser usada so pra limpar cidades de moradores de rua, é triste ver que so estao aumentando o poder coercitivo do ESTADO sobre as pessoas. Logo teremos pessoas que nada tem serem presos simplesmente acusados de vadiar

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