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Política

'Brasil enxuga gelo no bloqueio a bets ilegais', diz presidente da Anatel

Carlos Baigorri afirma que há uma carência de tecnologia para fiscalizar o mercado de jogos on-line

Carlos Baigorri admite não conseguir garantir o bloqueio efetivos dos sites que promovem bets ilegais | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Carlos Baigorri admite não conseguir garantir o bloqueio efetivos dos sites que promovem bets ilegais | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) enfrenta desafios para bloquear plataformas de apostas que operam ilegalmente no Brasil. O órgão destaca a necessidade de ferramentas legais mais eficazes para lidar com as bets ilegais. “Do jeito que está hoje, enxugamos gelo, e o bloqueio que tem é pouco efetivo”, afirmou o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira, 25.

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De acordo com Baigorri, as dificuldades são de várias naturezas. Uma delas é a carência de tecnologia para fiscalizar os bloqueios implementados. Além disso, segundo o executivo, há uma falta de poder de regulação sobre um agente econômico com atuação fundamental para o funcionamento da internet: o chamado operador de DNS.

Anatel admite não conseguir garantir o bloqueio efetivo dos sites irregulares

Atualmente, a Anatel admite não conseguir garantir que os sites irregulares identificados pelo Ministério da Fazenda estejam efetivamente bloqueados. O problema faz com que as plataformas operem sem grandes dificuldades.

O operador de DNS atua como se fosse uma grande lista telefônica do ambiente digital. Ou seja, o usuário informa o nome do site que deseja acessar, e a empresa identifica para qual número IP deve direcionar o acesso. No entanto, esses sites podem burlar os bloqueios ao atualizar seus IPs no operador de DNS.

De acordo com Baigorri, as dificuldades são de várias naturezas. Uma delas é a carência de tecnologia para fiscalizar os bloqueios implementados | Foto: Reprodução/Freepik
De acordo com Baigorri, as dificuldades são de várias naturezas. Uma delas é a carência de tecnologia para fiscalizar os bloqueios implementados | Foto: Reprodução/Freepik

Baigorri ainda enfatiza que muitos desses operadores de DNS estão fora do Brasil. Isso, de acordo com ele, complica ainda mais o controle. Para expandir a capacidade de regulação, a Anatel propôs uma medida provisória aos ministérios da Fazenda e dos Esportes.

A proposta sugere três caminhos: alterar a Lei Geral de Telecomunicações para dar à Anatel poderes de regulamentação sobre operadores de DNS.

O outro é modificar a legislação que regulamenta as bets para incluir obrigações específicas para esses operadores. E, por fim, ajustar o Marco Civil da Internet para reforçar as diretrizes de bloqueio de sites.

Segundo o presidente, há uma falta de poder de regulação sobre um agente econômico com atuação fundamental para o funcionamento da internet: o chamado operador de DNS | Foto: Reprodução/Freepik
Segundo o presidente, há uma falta de poder de regulação sobre um agente econômico com atuação fundamental para o funcionamento da internet: o chamado operador de DNS | Foto: Reprodução/Freepik

Mesmo com a ampliação de seus poderes, a Anatel não possui recursos adequados para fiscalizar plenamente os bloqueios. A agência estima precisar de R$ 7,5 milhões para contratar uma ferramenta tecnológica que ajudaria a monitorar essas suspensões.

Atualmente, a Anatel consegue supervisionar mais eficazmente as grandes operadoras, que representam a maioria dos acessos. Contudo, enfrenta dificuldades para cobrir toda a extensão do problema.

Consequências da ineficácia estatal e soluções propostas para as bets

De acordo com Baigorri, a ineficácia do Estado em coibir apostas ilegais tem implicações sérias para o mercado legal. Segundo o presidente, as empresas que pagaram para operar de forma regular no Brasil podem se sentir prejudicadas.

Atualmente, a Anatel admite não conseguir garantir que os sites irregulares, identificados pelo Ministério da Fazenda, estejam efetivamente bloqueados, o que permite que operem sem grandes dificuldades | Foto: Reprodução/Flickr
Atualmente, a Anatel admite não conseguir garantir que os sites irregulares, identificados pelo Ministério da Fazenda, estejam efetivamente bloqueados, o que permite que operem sem grandes dificuldades | Foto: Reprodução/Flickr

Ele sugere que a solução envolve aprimoramentos na legislação e medidas que desestimulem o uso de plataformas ilegais. A medida incluiria a dificuldade ao acesso a esses sites e bloqueios de meios de pagamento usados por empresas de apostas ilegais.

Críticas ao modelo atual de regulamentação

Além disso, Baigorri adverte que revogar a regulamentação existente ou declarar sua inconstitucionalidade não será eficaz para resolver o problema das bets ilegais.

Ele critica o modelo atual de regulamentação, centralizado na Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda. Para o presidente da Anatel, deve haver uma abordagem mais colegiada, com consultas públicas e participação dos diversos atores envolvidos, como essencial para uma regulamentação efetiva.

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