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Política

Assessora tinha aval da Câmara para desviar emendas para Cunha, diz PF

Ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG)

Presidente da Câmara, Hugo Motta, ao lado do ex-deputado Eduardo Cunha | Foto: Ueslei Marcelino/REUTERS

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A Polícia Federal enviou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, indícios de que a presidência da Câmara dos Deputados teria autorizado a assessora Mariângela Fialek a desviar emendas para o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Em decisão que se tornou pública no dia 12 de julho, Dino bloqueou R$ 6,15 milhões de Cunha por suposta ingerência ilegal nas emendas, em investigações da Operação Transparência.

De acordo com a documentação encaminhada pela Polícia Federal (PF) ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), há indícios de que a presidência da Câmara dos Deputados teria dado aval para que a assessora parlamentar Mariângela Fialek desviasse emendas para o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG).

Em decisão que se tornou pública no domingo 12, Dino determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões de Cunha por suposta ingerência ilegal no direcionamento das emendas. O magistrado atendeu a um pedido da PF no âmbito das investigações da Operação Transparência.

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Segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, os documentos da PF não citam o nome do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Mas os diálogos entre Cunha e Mariângela aconteceram em 2025, durante a gestão de Motta à frente da Casa.

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“Tudo indica que Tuca [apelido de Mariângela] contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, afirma a PF.

Até o momento, Hugo Motta não se manifestou sobre a decisão de Flávio Dino. No sábado 11, o chefe da Câmara defendeu o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e criticou o que classificou como “intervenção judicial” indevida do STF, referindo-se à determinação de Dino de bloquear R$ 119 milhões de Valdemar por suspeita de desvio de emendas.

O que diz a PF

No material enviado a Dino, a PF diz que Mariângela “sabia que estava atuando em zona cinzenta” ao direcionar verbas de emendas “conforme interesses privados”.
Ainda de acordo com a PF, Cunha teria atuado como agente privado com poder político muitas vezes até maior do que o de deputados em exercício, “interferindo no direcionamento de recursos federais sem qualquer autorização institucional”.

Segundo a investigação, o ex-presidente da Câmara teria coordenado diretamente a destinação de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde, em um valor total de R$ 6,15 milhões.

Leia também: “Paraíba concentra 43% das emendas de liderança do Republicanos em 2025”

O que dizem Cunha e Mariângela

Por meio de nota, a defesa de Eduardo Cunha informou que soube da decisão de Flávio Dino pela imprensa e que o ex-parlamentar não foi intimado nem chamado a prestar esclarecimentos até o momento.

Os advogados de Cunha alegam ainda que ele não exerce mandato e, portanto, não apresentou nem subscreveu nenhuma das emendas mencionadas. “A defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”, diz a nota.

Segundo a defesa de Cunha, o valor bloqueado corresponde ao total das emendas que estão sob investigação e não comprova nenhum desvio da verba por parte do ex-deputado. Os advogados afirmam ainda que Cunha desconhece irregularidades na tramitação dos recursos e buscará acesso aos autos do processo para garantir seu direito de defesa.

Também em nota, a defesa de Mariângela Fialek diz que a assessora parlamentar sempre atuou de forma “estritamente técnica, apartidária e impessoal”.

Leia também: “Ascensão sob suspeita”, reportagem de Yasmin Alencar publicada na Edição 330 da Revista Oeste

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