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Política

Ao promulgar Lei Felca, Lula agradece atuação de Janja e Motta

Presidente afirma que nova legislação amplia proteção de crianças no ambiente digital: ‘A segurança não pode ser responsabilidade apenas das mães e dos pais’

Janja, Lula e Motta
Janja, Lula e Hugo Motta na sanção da Lei Felca no Palácio do Planalto | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou a chamada Lei Felca — também conhecida durante a tramitação no Congresso como PL da Adultização e, divulgada pelo governo como ECA Digital. A nova legislação cria regras para o uso da internet por crianças e adolescentes e amplia a responsabilidade de plataformas digitais na prevenção de crimes.

Durante o evento de sanção da Lei Felca no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 18, Lula iniciou seu discurso agradecendo a primeira-dama Janja e ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

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“Eu quero começar esse dia histórico agradecendo todo o trabalho que a minha esposa, a minha querida Janja, tem feito”, disse. “Quero agradecer ao deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, por votar em tão pouco tempo um projeto muito importante.”

Na sequência, o presidente da República afirmou que a lei inaugura um novo padrão de regulação no ambiente digital.

“Hoje é um dia histórico para as famílias brasileiras. A partir de hoje, finalmente, podemos ficar mais tranquilos quando nossas crianças e adolescentes estão na internet”, declarou. “Estamos colocando em vigor uma das legislações mais avançadas do mundo para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.”

Controle sobre conteúdos on-line

Ao longo do discurso, Lula enfatizou a necessidade de ampliar o controle sobre conteúdos on-line, especialmente diante de casos de violência, exploração e desafios perigosos nas redes.

“Que fique bem claro de uma vez por todas: o que é crime no mundo real é crime no ambiente digital e os criminosos sofrerão os rigores da lei”, afirmou. “Essa segurança não pode ser responsabilidade apenas das mães e dos pais, que já andam exaustos com a jornada de trabalho. A responsabilidade é das plataformas, do Estado, das famílias e de toda a sociedade.”

Ao final, o presidente reconheceu que “nenhuma lei sozinha será suficiente”. “A proteção da infância no ambiente digital depende de regulamentação e coordenação.”

Janja, Lula e Motta
Janja, Lula e Hugo Motta posam com crianças durante a sanção da Lei Felca, o chamado ECA Digital | Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Motta também discursou no evento. O presidente da Câmara destacou a necessidade de atuação preventiva diante dos riscos no ambiente digital e defendeu maior responsabilidade do poder público e da sociedade. 

“Nós não podemos assistir inertes a isso”, disse. “Tampouco podemos ser reativos, esperando que os crimes e problemas ocorram para dar-lhes resposta. Devemos, isto sim, nos antecipar para garantir que nada de ruim aconteça com nossas crianças e adolescentes, no curto, médio e longo prazos.”

O que muda com a Lei Felca

A nova legislação estabelece um conjunto de obrigações para as plataformas digitais e amplia instrumentos de fiscalização e proteção. Entre os principais pontos:

  • Remoção de conteúdos ilegais sem necessidade de ordem judicial;
  • Obrigação de comunicação de crimes às autoridades, como a Polícia Federal;
  • Ferramentas de controle parental, permitindo limitar tempo de uso e interações;
  • Regras de verificação de idade para acesso a conteúdos;
  • Responsabilização das plataformas por conteúdos prejudiciais a menores;
  • Combate à “adultização precoce” e conteúdos impróprios para crianças.

O texto também reforça o papel da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) na fiscalização do uso de informações pessoais.

“Se alguém usar da verificação de idade para bisbilhotar a vida das pessoas ou ganhar dinheiro com os dados delas, a ANPD tem que cobrar”, afirmou Lula.

Vetos e ajustes do governo

Na sanção, o governo promoveu ajustes no texto aprovado pelo Congresso, especialmente para evitar conflitos com normas de privacidade e com a legislação já existente. Entre os pontos vetados ou modificados:

Responsabilização automática das plataformas

  • O texto aprovado no Congresso previa, em alguns casos, responsabilização direta das plataformas por conteúdos publicados por usuários — mesmo sem notificação prévia.
  • O que mudou: o governo evitou esse modelo mais amplo para não criar uma responsabilização “automática” irrestrita. A tendência é manter a lógica de responsabilização após ciência do conteúdo ilegal (como já ocorre no Marco Civil da Internet), especialmente para evitar excesso de judicialização e censura preventiva.

Verificação de idade com coleta ampla de dados

  • Havia previsão de mecanismos mais rígidos de verificação etária, que poderiam exigir coleta sensível de dados dos usuários.
  • O que foi ajustado: Governo restringiu esses dispositivos para evitar conflito com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A preocupação é impedir que plataformas passem a exigir documentos, biometria ou outros dados sensíveis sem critérios claros.

Obrigações genéricas e sem critério técnico definido

  • Alguns trechos exigiam que plataformas prevenissem conteúdos prejudiciais de forma ampla, sem definição objetiva de como isso deveria ocorrer.
  • O que foi mudado: o Executivo retirou dispositivos considerados vagos ou de difícil aplicação, que poderiam gerar interpretações subjetivas e insegurança jurídica — inclusive com risco de punições arbitrárias.

Remoção imediata de conteúdo sem parâmetros claros

  • Embora a lei mantenha a obrigação de retirada rápida de conteúdos ilegais, havia dispositivos que ampliavam essa exigência sem delimitar critérios ou tipos de conteúdo.
  • O que mudou: o governo ajustou o texto para evitar que qualquer conteúdo “potencialmente prejudicial” fosse removido automaticamente, o que poderia abrir margem para censura excessiva.

O objetivo, segundo o Planalto, foi garantir equilíbrio entre proteção infantil e segurança jurídica.

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2 comentários
  1. Antonio Saggese Netto
    Antonio Saggese Netto

    Não gosto de intervenção governamental em minha casa. Da educação dos meus filhos cuido eu.

  2. CARLOS CAMILO CEZAR
    CARLOS CAMILO CEZAR

    Felca, é aquele comprado que foi lamber as botas da globo lixo.,

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