As articulações de Gilberto Kassab para as eleições de 2026 começaram a se intensificar. Em conversa com empresários, durante um evento da Amcham Brasil, em São Paulo, nesta sexta-feira, 30, o presidente do PSD disse que eventual candidatura do partido em 2026 tem como meta puxar votos para deputados e senadores da legenda. A intenção é eleger de 80 a 90 deputados federais e chegar a um patamar em que o PSD vire peça obrigatória na governabilidade, esteja quem estiver no poder.
O partido hoje tem 47 cadeiras na Câmara e 14 no Senado, segundo o painel oficial de bancadas, e Kassab trabalha com a expectativa de ganhar musculatura ainda antes da eleição com as movimentações permitidas pela janela partidária (o período em que parlamentares podem trocar de legenda sem perder o mandato).
Receba nossas atualizações
Os candidatos de Kassab
A prateleira do PSD reúne três governadores: Ratinho Junior, do Paraná; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; e Ronaldo Caiado, de Goiás. Kassab afirmou que pretende bater o martelo até 15 de abril. Só que, na mesma conversa, o secretário de Governo deixou claro que existe um plano B com cara de plano A. Os três governadores admitem concorrer ao Senado em seus Estados — hipótese que, para o PSD, pode significar duas coisas ao mesmo tempo: manter a propaganda de candidatura nacional e, se a conta não fechar, preservar um ganho concreto nas urnas regionais.
A chegada de Caiado, aliás, é vendida como “fato novo” do projeto. O governador anunciou a saída do União Brasil e a filiação ao PSD depois de se queixar da falta de apoio interno para disputar a Presidência.
A lembrança de 2022
O ruído de bastidor é inevitável porque o PSD já recuou de ter candidato presidencial em 2022, quando Kassab liberou os palanques estaduais e abandonou a ideia de uma candidatura própria.
+ Saiba mais sobre os bastidores da política em No Ponto
Neste momento, a estratégia mudou de apresentação: com três governadores na vitrine, o partido tenta reduzir o custo político de desistir. Mesmo sem cabeça de chapa competitiva, ainda pode sair com uma colheita relevante no Legislativo.
E Tarcísio de Freitas?
Kassab também tratou de fechar uma especulação recorrente: descartou uma entrada do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida presidencial e reforçou que o aliado seguirá focado na reeleição estadual.
Na mesma conversa surgiu o comentário que irritou o entorno de Tarcísio: Kassab disse que gratidão ao ex-presidente Jair Bolsonaro é uma coisa, e submissão é outra. Isso ocorreu depois de o governador afirmar novamente que disputará a reeleição em São Paulo, e não a vaga ao Palácio do Planalto. Tarcísio respondeu ao comentário de Kassab publicamente, negando subordinação.
Ao falar sobre o tabuleiro nacional, Kassab ainda separou o PSD da direita bolsonarista e mirou o centro: mencionou Flávio Bolsonaro como nome em torno do qual a direita estaria se organizando, enquanto classificou o candidato do PSD como centro-direita, com apelo para avançar no eleitorado moderado.
Kassab evitou cravar um posicionamento mais ortodoxo do partido na formação de chapas estaduais. Na conversa com jornalistas, defendeu a liberdade das alianças regionais. A legenda poderá acertar o apoio tanto com a direita quanto com a esquerda.
Para ter uma ideia, embora queira emplacar uma candidatura de centro-direita na eleição ao Planalto, Kassab é presidente do partido que possui três ministros no governo Lula: Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca).
A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].






































Vai turbinar o cara******