A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) deve apresentar na próxima semana um relatório sobre o caso Banco Master, com plano de trabalho detalhado, no âmbito do grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, conforme revelou um assessor à coluna.
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O relatório é o desdobramento mais recente de uma atuação que a senadora vem construindo dentro da CAE desde que o grupo foi instalado, em fevereiro, como alternativa à CPMI do Master — que acumula assinaturas suficientes para ser instalada, mas segue sem leitura formal no Congresso.
O governo que não responde
Entre os movimentos feitos por Damares até aqui está um requerimento protocolado em 6 de abril em que convocava Fernando Haddad, então ministro da Fazenda, a comparecer pessoalmente à comissão. O documento revela que a CAE já havia enviado anteriormente um pedido formal de informações ao Ministério, “sem que tenha havido uma resposta formal”. O requerimento revela ainda risco ao Erário: há, segundo o texto, “possibilidade de necessidade de capitalização de instituição financeira pública” para cobrir perdas decorrentes do colapso do banco de Daniel Vorcaro.

Em abril, a senadora também aprovou requerimento para transferir ao grupo de trabalho documentos sigilosos da CPI do Crime Organizado, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal. A Mesa do Senado resistiu à liberação do material; Damares acionou Renan Calheiros formalmente para destravar o impasse. Separadamente, protocolou representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu uma investigação sobre reuniões entre o presidente Lula, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e Vorcaro — encontros que teriam ocorrido sem registro nas agendas oficiais.
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A CPMI que não sai do lugar
O travamento da CPMI, que serve de pano de fundo para essa atuação pela CAE, tem sido atribuído por parlamentares a resistências políticas. Na última quinta-feira, 7, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), cacique do centrão, foi alvo de operação da Polícia Federal relacionada ao caso Master. Segundo a investigação, ele recebia R$ 500 mil mensais para defender os interesses do banco no Congresso. Nogueira nega as acusações.
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Ao contrário de uma CPI, a CAE não tem poder de polícia — não pode convocar sob pena de condução coercitiva nem abrir inquérito. O que se pode fazer é solicitar documentos, realizar audiências e produzir relatórios para encaminhamento à PF e ao Ministério Público.
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