As críticas de Romeu Zema a Flávio Bolsonaro colocaram o ex-governador mineiro em rota de colisão com a ala conservadora do Novo. Nos últimos dias, dirigentes e pré-candidatos ligados ao bolsonarismo chegaram a discutir um rompimento político com Zema, depois da sequência de declarações públicas contra o senador.
A tensão culminou em reuniões reservadas nos últimos dias, com participação de dirigentes nacionais do Novo, parlamentares e aliados políticos do ex-governador.
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Segundo relatos obtidos pela reportagem, os encontros ocorreram a portas fechadas e tiveram como principal objetivo conter o desgaste provocado pelas manifestações de Zema contra Flávio. Integrantes da ala conservadora afirmam que o ex-governador ultrapassou o limite ao transformar o senador em alvo frequente de críticas.
Como revelou Oeste, a crise se agravou depois de Zema divulgar um vídeo criticando Flávio. A manifestação ocorreu depois da publicação, pelo site Intercept Brasil, de áudios e trocas de mensagens atribuídos ao senador e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na ocasião, o filho 01 de Jair Bolsonaro pediu recursos ao empresário para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente. A avaliação do Novo, contudo, é que o desgaste não se restringiu àquele episódio específico, mas ao comportamento reiterado do ex-governador em relação ao senador.
Integrantes do Novo ligados ao bolsonarismo passaram a acusar Zema de alimentar críticas a Flávio. Esse grupo acredita que o ex-governador passou a ser usado por setores da imprensa como instrumento de desgaste contra o senador, enquanto sua própria agenda política perdeu espaço.
Novo quer manter vínculo com bolsonarismo
A ala conservadora do partido argumentou também que diversos políticos migraram para o Novo depois de receber garantias de que não haveria um novo rompimento com o bolsonarismo. Com as críticas recorrentes de Zema a Flávio, acreditam que a promessa foi quebrada.
O desconforto é maior em Estados onde o Novo depende de alianças com o PL. No Paraná, por exemplo, integrantes da legenda articulam um palanque conjunto envolvendo Sergio Moro (PL) para o governo e Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) para o Senado, num acordo que prevê apoio à candidatura presidencial de Flávio. O pré-candidato a deputado federal Jeffrey Chiquini, que se filiou ao Novo recentemente, lidera as articulações para manter a proximidade entre as legendas.
Segundo lideranças do Novo, Zema recebeu alertas de que as críticas ao senador passaram a prejudicar candidatos identificados com o eleitorado bolsonarista e poderiam comprometer o esforço do partido para atingir a cláusula de barreira nas eleições de 2026.
Durante as reuniões, lideranças conservadoras apresentaram uma série de exigências ao entorno de Zema. A principal delas: o ex-governador precisa encerrar os ataques a Flávio. Caso contrário, integrantes do Novo já defendem retirar seu nome da disputa presidencial.
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