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No Ponto

EUA monitoram redemocratização da Venezuela e evitam fixar prazo para eleições

Ditadora interina do país é tutelada por Washington e tem colaborado com a Casa Branca, quatro meses depois da queda de Maduro

venezuela
A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante cerimônia para receber a insígnia de comandante-em-chefe das Forças Armadas - 28/1/2026 | Foto: Wendys Olivo/Palácio Miraflores/Divulgação via Reuters

Depois de quatro meses da destituição do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela passa por um lento processo de redemocratização, disse a Oeste uma fonte da diplomacia norte-americana.

“São anos de controle do regime chavista e é preciso sanear as estruturas do país, principalmente, as Forças Armadas e os Poderes”, afirmou a fonte, ao mencionar que o Executivo, apesar de preferir María Corina no Palácio Miraflores, tem de agir com pragmatismo. “É algo que não se faz em menos de um ano, e pode ser que vá além.”

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Por isso, o Departamento de Estado dos EUA ainda não trabalha com a possibilidade de eleições gerais no curto prazo.

Ainda de acordo com o diplomata, a sucessora de Maduro, Delcy Rodríguez, atua sob forte influência da Casa Branca. “É uma governante tutelada”, afirmou.

Conforme ele, Delcy tem cooperado com exigências americanas, especialmente em temas ligados à abertura econômica, libertação gradual de presos políticos e reorganização do setor petrolífero venezuelano.

A avaliação da fonte é que os EUA tentam conduzir uma “redemocratização vigiada” da Venezuela, evitando um colapso institucional completo do chavismo, que ainda tem poder no país e, ao mesmo tempo, reduzindo a influência de países como Rússia, China e Irã sobre Caracas e a América Latina.

Nesse contexto, o petróleo aparece como peça central da estratégia americana. A aproximação entre Washington e Caracas ocorre paralelamente à flexibilização parcial de sanções, reabertura de canais diplomáticos e estímulo à entrada de empresas estrangeiras no setor energético venezuelano.

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Eleições legislativas nos EUA não interferem na tutela sobre a Venezuela

O presidente Donald Trump discursa sobre o Estado da União na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, no plenário da Câmara dos Representantes do Capitólio dos EUA, em Washington, D.C. | Foto: Casa Branca/Daniel Torok

Embora Caracas venha cooperando com a Casa Branca, sobretudo nas áreas econômica e energética, integrantes do chavismo também trabalham para ganhar tempo e atravessar o atual governo republicano ou contar com seu enfraquecimento.

Segundo o diplomata, no entanto, mesmo que o presidente Donald Trump venha a perder a Câmara dos Representantes ou o Senado para os democratas nas eleições legislativas deste ano, a Venezuela seguiria sob tutela do governo.

“Os rumos da diplomacia continuam nas mãos do presidente”, disse o diplomata, que admitiu a possibilidade de maior fiscalização do Parlamento. “Mas nem os democratas querem interferir nisso.”

Leia também: “Venezuela sem anistia”, reportagem publicada na Edição 319 da Revista Oeste

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