O Partido Liberal (PL) enfrenta dificuldades para confirmar as chapas estaduais às vésperas das eleições deste ano. A legenda reúne grupos regionais com interesses distintos, o que tem atrasado decisões sobre alianças e candidaturas majoritárias, sobretudo ao Senado e aos governos estaduais.
Em Santa Catarina, por exemplo, a deputada federal Carol De Toni chegou a negociar a saída do PL para se filiar ao Novo. A articulação avançou até o momento em que o governador do Estado, Jorginho Mello, anunciou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como pré-candidato a vice-governador. Com a possibilidade de ter um vice-governador filiado à sigla, o Novo recuou na tentativa de filiar De Toni. Não valeria a pena se indispor com o maior partido de oposição do país.
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No PL, o acordo inicial previa o lançamento de uma chapa mista ao Senado: Esperidião Amin, da Federação União-Progressistas, ficaria com uma das vagas, e De Toni herdaria a outra. Com a entrada do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro nas negociações, o cenário mudou. A possibilidade de uma chapa exclusivamente do PL ao Senado, antes descartada, voltou a ser considerada.
Essa movimentação custou a perda do apoio do MDB ao PL de Santa Catarina. Com a definição de Adriano como vice, os emedebistas deixaram de integrar a aliança estadual com a legenda de Valdemar Costa Neto. A razão: o MDB havia sido informado de que teria direito a indicar o candidato a vice na chapa encabeçada por Jorginho Mello.
PL também patina no Ceará e em São Paulo
Conflito semelhante ocorreu no Ceará. O deputado federal André Fernandes, por exemplo, recebeu críticas públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por ter articulado o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Estado. O acordo inicialmente previsto esfriou, embora interlocutores da legenda afirmem que possa haver reconciliação. A aliança do PL com Ciro Gomes seria uma via de mão dupla. O ex-presidente Jair Bolsonaro avaliou que, para levar o ex-deputado estadual cearense Alcides Fernandes (PL-CE) ao Senado, seria indispensável montar uma coligação ampla no Estado. Nesse cenário, o PL e a Federação União-PP garantiriam palanque a Ciro e, em contrapartida, receberiam o respaldo necessário para projetar Alcides ao Senado.
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Em São Paulo, ainda seguem indefinidas as candidaturas ao Senado. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, candidato natural à Casa Alta, deve permanecer fora da disputa por continuar vivendo nos Estados Unidos. Para a vaga, o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro prefere a indicação do deputado estadual Gil Diniz. Outra ala defende o nome da deputada federal Rosana Valle, que tem apoio do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, e de lideranças do centrão. Para a segunda vaga ao Senado, o nome mais citado é o do deputado federal Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo. Também são mencionados como possíveis candidatos Ricardo Salles, do Novo, e os deputados Mário Frias e Marco Feliciano, ambos do PL.
A dificuldade na formação das chapas estaduais deve se intensificar. Na última quinta-feira, 29, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou o pedido de Bolsonaro, que também acumula a função de presidente de honra do PL, de receber a visita do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto. Os dois têm papel determinante na discussão das alianças regionais. Impedidos de conversar, não podem dar diretrizes objetivas para as lideranças do partido.
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