A internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), nesta sexta-feira, 13, reforçou a pressão de integrantes da direita sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Há vários meses, com base nos relatos médicos, aliados e familiares vinham apelando para que Moraes autorizasse a transferência do ex-presidente para a prisão domiciliar.
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O deputado estadual Tenente Coimbra (PL-SP) recebeu a notícia nos Estados Unidos, ao lado do filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro. A Oeste, Coimbra, que também é vice-presidente do PL Jovem do Estado, descreveu a indignação que neste momento toma conta dos familiares e amigos.
“É mais um absurdo dessa escalada do judiciário que tem torturado o presidente Bolsonaro, um senhor acima de 70 anos, que já teve reiterado os problemas de saúde, inclusive esse que o coloca em observação e a gente reza para que não seja nada demais, que fosse qualquer outra pessoa já teria tido o benefício de prisão domiciliar”, afirmou o deputado.
Ele se referiu, na fala, à recusa de Moraes em transferir o ex-presidente para a domiciliar. “Mas com uma forma vingativa, uma forma sádica e até psicopata, o STF tenta manter a tortura do presidente Bolsonaro dentro da prisão.”
Outra aliada do ex-presidente, a deputada federal Rosana Valle, considera que a questão humanitária não está prevalecendo sobre os interesses políticos e ideológicos. “Recebo com muita preocupação a notícia sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro, internado na UTI”, afirmou a parlamentar. “Independentemente de posições políticas, estamos falando de uma questão humanitária e de saúde que precisa ser tratada com a devida sensibilidade.”
O vereador Adrilles Jorge (União Brasil) foi outro que não poupou acusações contra Moraes, o relator do processo, considerando que o ministro tem negligenciado o estado de saúde do ex-presidente.
“O caso de Bolsonaro é o caso de um assassinato lento, lânguido e cotidiano. E o autor da morte por tabela de Bolsonaro, a tentativa de morte por tabela, chama-se Alexandre de Moraes”, declarou o parlamentar. “É um homem em estado debilitado, já passou por uma dezena de cirurgias, está em estado precário.”
Bolsonaro, que vinha passando por tratamento na prisão, foi internado às pressas no Hospital DF Star, em Brasília-DF, depois de apresentar piora no quadro clínico durante a madrugada. Ele foi encaminhado ao hospital pela manhã, com febre alta, sudorese e calafrios.
“A possibilidade da broncoaspiração, que é um caso em que comida e bebida entram no pulmão, já foi aventada há muito tempo por médicos”, prosseguiu Adrilles. “Sem os devidos cuidados, ele está literalmente morrendo sob tortura.”
Bolsonaro acusado pelo STF
Bolsonaro foi preso em novembro de 2025, por decisão do STF, depois de ser condenado em um processo que investigou sua participação em uma suposta tentativa de golpe de Estado ligada aos acontecimentos posteriores às eleições de 2022 e aos atos de 8 de Janeiro de 2023 em Brasília.
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Em janeiro, o ex-presidente foi transferido para a Papudinha, prisão em Brasília. Neste período, tem demonstrado uma saúde debilitada, em função da facada que recebeu durante a campanha presidencial de 2018. Bolsonaro já passou por uma série de cirurgias, a última delas, no fim de 2025, para corrigir duas hérnias inguinais, que provocavam dores e estavam relacionadas às complicações abdominais acumuladas desde o atentado.
Segundo a deputada Rosana o momento exige que as “autoridades competentes reavaliem o caso com o equilíbrio.” Ela acrescenta. “Diante das comorbidades e da fragilidade do quadro clínico do ex-presidente da República, considero um abuso o STF ainda não ter liberado a prisão domiciliar humanitária. A Justiça precisa olhar para essa situação com empatia e responsabilidade.”
Rosana, que é presidente do PL Mulher em São Paulo, ressaltou que a situação do ex-presidente, que não tem previsão de alta, colocou todos de seu partido em alerta. “O PL tem acompanhado de perto o quadro clínico de Bolsonaro e está mobilizado para prestar todo o apoio necessário”, garantiu a parlamentar. “Lideranças do partido, parlamentares e aliados têm manifestado solidariedade, acompanhado as informações médicas e defendido a prisão domiciliar.”
Desde que Bolsonaro foi preso, relatório da PF revelou que foram registrados 144 atendimentos médicos em cerca de 39 dias, uma média de aproximadamente três consultas por dia, além de 13 sessões de fisioterapia, 33 caminhadas monitoradas, 36 visitas e 29 encontros com advogados. Moraes utiliza esses dados para argumentar que as condições de saúde e de assistência dentro da unidade prisional não justificariam a conversão da pena para prisão domiciliar.
Estes números, no entanto, é o que mostram, segundo aliados e familiares, que o ex-presidente está com a saúde frágil, que só se agrava com a permanência em um ambiente inóspito como a prisão.
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