A indicação de Otto Lobo para a diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta resistência nos bastidores do poder. O principal foco de oposição é o banqueiro André Esteves, figura central do mercado financeiro em Brasília.
Segundo apurou Oeste, Esteves não assimilou a saída de seu aliado João Pedro Nascimento do comando da CVM, em 2025. Este último era considerado um nome alinhado aos interesses do mercado e, em especial, do entorno do BTG Pactual.
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Depois da saída do ex-presidente da CVM, Esteves tentou emplacar Fernando Lunardi na diretoria da autarquia, mas não obteve sucesso. Derrotado nessa articulação, passou a atuar para barrar a indicação já formalizada de Otto Lobo, que hoje aguarda apenas sabatina no Senado.
André Esteves quer manter o prestígio nos bastidores do poder
A ofensiva ocorre num momento de desgaste político do banqueiro em Brasília. Interlocutores dizem que Esteves acumula atritos no Judiciário, principalmente com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, seu principal aliado no governo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, perdeu força política. Isso reduziu a capacidade de influência do grupo sobre decisões estratégicas.
O que está em cena é o controle político da CVM, autarquia responsável por fiscalizar o mercado de capitais, aplicar sanções bilionárias e definir interpretações regulatórias que afetam diretamente bancos, fundos e grandes empresas.
A indicação de Otto Lobo permanece válida. O desfecho dependerá do Senado — e da correlação de forças entre o governo e o mercado nos bastidores de Brasília.
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