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No Ponto

Anderson Torres: 'Se eu tivesse recebido qualquer alerta, não teria viajado'

Segundo ex-ministro, houve 'falha grave na execução do Protocolo de Ações Integradas'

Anderson Torres
O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal depõe à CPMI do 8 de Janeiro nesta terça-feira, 8 | Foto: Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O delegado da Polícia Federal (PF) Anderson Torres disse que, se tivesse recebido alertas em relação ao risco de ataques aos prédios dos Três Poderes, não teria viajado para Orlando, nos EUA.

Nesta terça-feira, 8, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal depõe na CPMI do 8 de Janeiro.

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“Se eu tivesse recebido qualquer alerta ou informe de inteligência indicando o risco iminente de violência e vandalismo, eu não teria viajado”, explicou o delegado da PF.

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Anderson Torres viajou de férias com a família na noite de 6 de janeiro. As férias estavam programadas para acontecer entre 9 e 20 de janeiro de 2023, mas o então secretário antecipou a viagem por dois dias.

Às 19h40 do dia 6, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou o primeiro alerta, que citava a possibilidade de “ações violentas” na capital federal.

Por meio do WhatsApp, o aviso foi enviado a membros do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e da Célula Integrada de Inteligência de Segurança Pública do DF.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

De acordo com Torres, as passagens da viagem foram compradas em 21 de novembro de 2022. Mas que, ainda assim, teria deixado aprovado o Protocolo de Ações Integradas (PAI) para fazer o “desmonte final” dos acampamentos em frente ao quartel-general de Brasília a partir de 10 de janeiro.

Ainda na manhã do dia 6 de janeiro, foi realizada a reunião com o general Dutra, comandante militar do Planalto, e Ana Paula Marra, secretária de Ação Social do DF. No local, a então subsecretária de Operações Integradas, coronel Cíntia, também estava presente, e todos trataram da desmobilização dos acampamentos.

“Viajei com minha família no dia 6 de janeiro à noite, após aprovar o PAI e enviar para todos os envolvidos”, explicou Anderson Torres. O “PAI é tão completo que, se tivesse sido seguido à risca, nada de grave teria acontecido. Não recebi qualquer informação sobre a possibilidade de atos violentos no dia 8 de janeiro.”

Conforme Torres, houve “grave falha” na execução do PAI. “Se tivessem cumprido à risca o PAI, os atos de vandalismo do dia 8 de janeiro não teriam sido consumados”, disse o delegado da PF.

O PAI previa o isolamento da Esplanada, proteção de todos os prédios públicos e o trabalho em conjunto das forças de segurança federais. Torres teria assinado o plano às 15h28 da sexta-feira 5.

Durante a oitiva, o ex-ministro destacou que comunicou ao governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a viagem e informou que o secretário-executivo Fernando de Souza Oliveira ficaria responsável pela Secretaria de Segurança do DF.

Anderson Torres foi preso em 14 de janeiro por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de omissão nos atos de 8 de janeiro. Há quase três meses, Torres foi liberado para cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

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2 comentários
  1. D. F.S.
    D. F.S.

    Ahh tá explicada a confusão, deveriam ter seguido o protocolo do PAI mas acabaram por seguir o protocolo do Painho

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