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Wall Street olha com pessimismo para futuro da Argentina após resultado eleitoral

Resultado eleitoral do primeiro turno mostrou uma força inesperada do peronismo na política argentina, deixando os investidores preocupados

Wall Street olha com pessimismo para futuro da Argentina após resultado eleitoral
Wall Street olha com pessimismo para futuro da Argentina após resultado eleitoral

Após o resultado eleitoral do último domingo, 22, que entregou a vitória ao candidato governista Sergio Massa, Wall Street está cada vez mais pessimista em relação ao futuro da Argentina.

O mercado financeiro americano apostava na candidata da oposição de centro-direita, Patrícia Bullrich, ou no candidato liberal Javier Milei, considerado o favorito.

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Todavia, 36% de votos obtidos por Massa acabaram mostrando como o ministro da Economia é o favorito para se tornar o futuro inquilino da Casa Rosada.

Massa representa o peronismo kirchnerista, uma ideologia que os mercados olham com receio.

Os investidores também não morrem de amor pelo candidato liberal. Mas pelo menos reconhecem que Milei colocou a questão fiscal como algo fundamental e que foi a melhor proposta que o mercado viu durante a campanha eleitoral.

Wall Street olha com desconfiança para a política argentina

Para o Bank of America (BofA), independentemente de quem for eleito novo presidente, o governo que iniciará no dia 10 de dezembro provavelmente herdará condições econômicas extremamente difíceis.

Saiba mais: Por que o peronismo ganhou o primeiro turno mesmo com Argentina vivendo caos econômico

Segundo o banco americano, a inflação vai alcançar 175% neste ano, as reservas internacionais vão continuar negativas em US$ 4 bilhões, e o país vai continuar enfrentando uma grave seca, que já reduziu as exportações em mais de US$ 21 bilhões.

“A demanda por pesos despencou em meio a estímulos fiscais e incertezas políticas. Os riscos de hiperinflação são significativos”, alertaram os analistas do Bank of America em relatório.

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Para a Moody’s, o segundo turno terá duas agendas econômicas muito opostas, nas quais os eleitores escolherão entre “manter uma postura política pouco ortodoxa, que gerou desequilíbrios macroeconômicos importantes, ou uma mudança para políticas econômicas mais liberais, que implicariam um forte ajuste”.

“Independentemente de quem vencer o segundo turno, uma vez que nenhum dos partidos terá maioria no Congresso, serão forçados a forjar alianças para implementar políticas, o que aumentará os riscos de governação num ambiente macroeconômico muito difícil. Mesmo se a próxima administração tentar corrigir as distorções existentes, o nosso cenário base prevê um risco elevado de inadimplência das promessas feitas pelo governo em 2024-2025″, alertou a Moody’s.

Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro dos EUA, classificou o resultado de domingo como um “desastre”.

“As eleições parecem um desastre para qualquer possível política econômica inteligente”, declarou Sobel, que passou quatro décadas em cargos públicos e foi o representante dos EUA no Fundo Monetário Internacional (FMI) pouco antes do empréstimo concedido pela instituição multilateral ao governo do presidente Mauricio Macri.

Os comentários de Sobel surgiram em resposta a uma publicação semelhante do Instituto de Finanças Internacionais (IFI).

Robin Brooks, economista-chefe do think tank que reúne os maiores bancos do mundo, destacou que “as eleições foram uma oportunidade para a Argentina desistir novamente e acabar com o isolamento financeiro autoimposto dos últimos anos”.

“A Argentina não aproveitou essa oportunidade. As taxas de juros implícitas no mercado estão no nível mais alto já registrado”, acrescentou o economista.

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1 comentário
  1. Route 66
    Route 66

    Pelo visto quase 40% da população argentina está satisfeita com inflação de 150% ao mês e com seu dinheiro virando pó. Há gosto pra tudo quanto é merda, e o maior exemplo é o grande país vizinho da Argentina.

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