Horas depois das notícias sobre a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, neste sábado, 3, centenas de venezuelanos que atualmente vivem na Argentina, Chile e Espanha foram às ruas celebrar a queda do agora ex-ditador Nicolás Maduro. Registros de jornais locais mostram cidadãos emocionados e trocando abraços em meio a bandeiras da Venezuela agitadas pelas multidões.
Em Buenos Aires, capital argentina, os manifestantes reuniram-se no Obelisco, o lugar mais emblemático para festejos na cidade, segundo o jornal local Clarín. À noite, o monumento foi iluminado com as cores da bandeira venezuelana. O presidente Javier Milei e aliados celebraram publicamente a captura de Maduro pelos EUA.
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“E caiu, e caiu, este governo caiu”, cantava a multidão. “Era algo que eu esperava há muito tempo, a verdade é que só sinto pura euforia, e talvez eu diga coisas bobas, mas é pura felicidade”, disse a venezuelana Carmen Teresa Pérez ao Clarín. Ela mora na Argentina há sete anos.
O jornal argentino também ouviu o casal Karli e Ronny Rondón, que mora na Argentina há oito anos. Eles disseram que não haviam dormido desde as duas horas da manhã de sábado, quando seus parentes em Caracas os alertaram que estavam sentindo algo que não conseguiam identificar se era um ataque ou um terremoto. Depois, viram helicópteros em vídeos e entenderam tudo o que estava acontecendo.
“Acho que, mais do que pensar no futuro a longo prazo, estamos pensando no futuro imediato. Acho que o que mais queremos celebrar agora é a partida deles, e veremos o que acontece depois”, disse Karli. “Sabemos que a colonização é sempre uma possibilidade, mas já a estávamos vivenciando isso inconscientemente com a China e a Rússia. Então, a verdade é que os venezuelanos sempre souberam lidar com isso. Portanto, o importante é que essas pessoas vão embora e que nos tornemos um país livre novamente. É isso que mais queremos.”
Um outro manifestante venezuelano, ouvido pela televisão argentina, foi mais direto em sua declaração. “Para aqueles que dizem que os Estados Unidos só estão interessados em petróleo, eu pergunto: o que vocês acham que os russos e os chineses queriam? A receita de arepas?”
No Chile, grupos de venezuelanos se reuniram em diversos pontos da capital, Santiago, para celebrar. Pontos como Parque Almagro e Estação Central foram o epicentro das manifestações, de acordo com o portal chileno Chilevisión.
Até mesmo o embaixador dos EUA no Chile, Brandon Judd, participou da festa. “Tive a honra de celebrar no Chile, junto com o corajoso povo venezuelano, a vitória do presidente Donald Trump contra a opressão”, escreveu em publicação no X.
Na Espanha, venezuelanos se reuniram na Porta do Sol, em Madri, para comemorar a captura de Nicolás Maduro. Ao som de música tradicional venezuelana, alguns dançavam envoltos na bandeira tricolor da Venezuela, segundo o jornal local El País.
Maduro está detido em presídio federal em Nova York
De acordo com informações oficiais, Maduro desembarcou na noite deste sábado no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, na cidade de Nova York, depois de ser transportado de helicóptero sob escolta de autoridades norte-americanas.
Maduro aparece algemado em um vídeo divulgado neste sábado pelo jornalista Paul Mauro, da emissora norte-americana Fox News. O perfil Rapid Response 47, vinculado diretamente à Casa Branca, compartilhou o vídeo.
As imagens mostram Maduro caminhando sob escolta nas dependências da Administração de Repressão às Drogas (DEA), em Nova York, antes de ser encaminhado ao sistema prisional federal. No local, o político passou por procedimentos formais da detenção, como registros e identificação.
Do lado de fora do MDC, manifestantes se concentraram atrás de grades de segurança. Parte do grupo hostilizou o ditador, com gritos de protesto, enquanto outras pessoas registraram a chegada com celulares. Bandeiras da Venezuela e dos EUA apareceram entre os presentes.
O ex-ditador deve permanecer preso enquanto se prepara para responder a acusações de narcoterrorismo e crimes relacionados a armas. O processo corre no Distrito Sul de Nova York, uma das jurisdições federais mais rigorosas do país. A primeira audiência pode ocorrer já nos próximos dias.
O fim da era de Nicolás Maduro como ditador da Venezuela também repercutiu em Brasília. Na noite deste sábado, dezenas de venezuelanos se reuniram em frente à embaixada do país, na Asa Sul, para comemorar.
Conforme gravação do jornalista Cristyan Costa, coordenador da redação de Oeste no Distrito Federal, o grupo entoou o Hino Nacional da Venezuela. Em tradução para o português, alguns trechos do hino dizem o seguinte:
E o pobre em sua choupana
Implorou por Liberdade
Sobre este santo nome
Tremeu de pavor
O vil egoísmo
Que outrora trinfou






































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