A União Europeia (UE) selou um acordo preliminar para endurecer a fiscalização de fronteiras e transferir imigrantes clandestinos para instalações de acolhimento construídas fora do continente. A medida busca resolver o baixo índice de deportações do bloco, já que menos de 30% das ordens de repatriação são executadas atualmente. O novo pacote autoriza a criação de “centros de retorno” em nações parceiras e dá poder à polícia para fiscalizar habitações de estrangeiros considerados ameaças à segurança nacional.
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O comissário europeu para Migrações, Magnus Brunner, declarou que o projeto serve para colocar a casa em ordem e retomar o controle do fluxo migratório. Pelas regras combinadas, os clandestinos que tiverem o pedido de asilo rejeitado ou que se recusarem a cooperar com as autoridades enfrentarão sanções mais rígidas, incluindo a retenção administrativa. A Alemanha, a Holanda, a Áustria e a Grécia já iniciaram tratativas para adotar esse modelo de triagem externa até o fim de 2026.
Modelo espelha rigor adotado nos Estados Unidos
A guinada da comunidade europeia foi criticada por organizações de esquerda e entidades humanitárias, que associam a nova legislação ao padrão rigoroso de proteção de fronteiras adotado por Donald Trump nos Estados Unidos. Ativistas de ONGs, como a diretora do Comitê Internacional de Resgate, Marta Welander, reclamaram que as novas regras vão institucionalizar as batidas policiais de imigração e expandir o uso de centros de triagem no exterior.
Os opositores das medidas apontam a complexidade jurídica com base em acordos bilaterais anteriores. Eles citam o pacto entre a Itália e a Albânia, orçado em € 650 milhões para abrigar até 3 mil pessoas em solo albanês, que enfrentou contestações de partidos de esquerda em Roma. O modelo europeu de delegar o processamento de vistos a terceiros países já é utilizado por nações como a Dinamarca desde 2021.
Conservadores celebram o restabelecimento da ordem nas fronteiras
O avanço do texto consolidou uma vitória das bancadas conservadoras e de centro-direita no Parlamento Europeu. Os parlamentares aprovaram as restrições com foco na soberania nacional e no combate à entrada ilegal de cidadãos vindos da Ásia e da África. O eurodeputado sueco Charlie Weimers comemorou a aprovação das punições e garantiu que o cumprimento rigoroso da lei vai desincentivar a imigração clandestina em todo o bloco.
As novas diretrizes vão funcionar como um ajuste fino para o Pacto da UE sobre Imigração, programado para entrar em vigor nos próximos dias. O regramento atualizado acelera a análise de vistos, facilita o envio de civis de volta para países de origem e endurece o combate aos coiotes que comandam o tráfico humano. Paralelamente ao reforço das fronteiras, os chefes de Estado planejam um encontro em Montenegro para discutir a inclusão de países dos Bálcãs na rota de cooperação europeia.
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