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Trump chama decisão da Suprema Corte de ‘desgraça’ e anuncia taxa global de 10%

Presidente dos EUA diz que não será detido pelo tribunal e promete usar dispositivos legais

Donald Trump se diz "envergonhado" com a postura da Suprema Corte dos EUA | Foto: Reprodução/X
Donald Trump se diz "envergonhado" com a postura da Suprema Corte dos EUA | Foto: Reprodução/X

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “uma desgraça” a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos ao derrubar as tarifas de importação impostas por seu governo.

Segundo apuração do jornal The New York Times com duas pessoas próximas à Casa Branca, a declaração foi feita durante encontro com governadores nesta sexta-feira, 20. Depois, em conversa com jornalistas, Trump reforçou as críticas e afirmou que o tribunal “não vai detê-lo”.

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Trump e a decisão de 6 votos a 3

O presidente anunciou que pretende adotar a tarifa global de 10% com uso da chamada Seção 122, da legislação comercial. Ela permite a imposição temporária de até 15% sobre importações por um período de até 150 dias. Além disso, disse que recorrerá à Seção 301 para ampliar investigações comerciais e, segundo ele, proteger os interesses dos Estados Unidos.

A Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que o uso de uma lei de 1977 para justificar a cobrança ampla de tarifas é irregular. Para a maioria dos ministros, o presidente não pode impor taxas generalizadas sem autorização explícita do Congresso.

Leia também “Os princípios da liberdade”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 310 da Revista Oeste

Trump vinha se apoiando na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa) para sustentar as medidas tarifárias. A norma concede ao Executivo poderes para agir em situações de emergência que envolvem ameaças externas.

Durante as críticas, o presidente afirmou estar “envergonhado” e “desapontado” com a postura de integrantes da Corte. Ele declarou que ministros indicados por democratas estariam “contra tudo que faça a América mais forte e grande novamente”. Da mesma forma, acusou o tribunal de ter sido influenciado por um movimento político.

O argumento de John Roberts

O presidente da Suprema Corte, John Roberts, sustentou que o chefe do Executivo deve “apontar uma autorização clara do Congresso” para justificar o que classificou como uma reivindicação extraordinária de poder.

Roberts destacou que a Ieepa autoriza o presidente a investigar, bloquear, regular, dirigir e até proibir importações ou exportações durante investigações. Contudo, segundo ele, o texto da lei não menciona explicitamente a imposição de tarifas ou impostos, o que inviabilizaria a interpretação adotada pela Casa Branca.

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