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Transplantes nos EUA revelam falhas em remoção de órgãos

Pressão por aumento nas doações expõe casos em que pacientes ainda estavam vivos no momento do procedimento

Especialistas cobram revisão urgente dos protocolos para declaração de morte e retirada de órgãos | Foto: Reprodução/Redes sociais
Especialistas cobram revisão urgente dos protocolos para declaração de morte e retirada de órgãos | Foto: Reprodução/Redes sociais

Na primavera de 2024, um caso chocante em um hospital do Alabama expôs falhas graves no sistema de transplantes dos Estados Unidos (EUA). Misty Hawkins, de 42 anos, teve comunicação de óbito depois de engasgar durante uma refeição e entrar em coma. Com o consentimento da família, os médicos desligaram os aparelhos de suporte vital e prepararam-se para a retirada dos órgãos. Mas, durante o procedimento, cirurgiões constataram que Hawkins ainda apresentava sinais de vida: seu coração batia e ela parecia respirar.

O episódio, que foi a público conforme investigação do The New York Times, levantou sérias dúvidas sobre os protocolos. Os questionamentos recaíram sobre hospitais e organizações de doação sem fins lucrativos. Nos últimos anos, a pressão para aumentar o número de transplantes tem levado a decisões apressadas, colocando em risco a integridade e os direitos dos doadores.

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Casos de transplantes chamam a atenção 

O caso de Misty não é o único. No Novo México, uma mulher entrou em regime de doação de órgãos mesmo depois de familiares alertarem que ela demonstrava sinais de recuperação — o que, de fato, ocorreu. Na Flórida, um homem reagiu com choro e tentou remover seu tubo respiratório antes de ser desconectado do suporte de vida. Já na Virgínia Ocidental, médicos relataram espanto quando coordenadores pediram autorização para remover os órgãos de um paciente ainda sob efeito de sedação, mas que já demonstrava sinais de consciência.

Esses casos estão ligados à expansão da chamada ‘doação após morte circulatória’, em que a retirada de órgãos ocorre assim que há a constatação de parada cardíaca; e não depois da morte cerebral. Em 2024, esse tipo de doação representou cerca de um terço do total de transplantes que ocorreram nos EUA. Calcula-se que o país registrou a extração de 20 mil órgãos, número três vezes maior que o de cinco anos antes. Especialistas agora cobram revisão urgente dos protocolos para evitar que vidas se percam de forma precipitada em nome da salvação de outras.

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