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'Se derrubarem os processos contra Bolsonaro, acabamos com as tarifas', diz ex-estrategista de Trump

Steve Bannon condiciona a suspensão das tarifas dos EUA ao Brasil ao encerramento dos processos contra Bolsonaro e prevê sanções contra Alexandre de Moraes, destacando que a pressão política vem do movimento MAGA e não de Elon Musk.

Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump e líder da direita norte-americana | Foto: Reprodução/Redes sociais
Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump e líder da direita norte-americana | Foto: Reprodução/Redes sociais

Em entrevista ao UOL, Steve Bannon, ex-estrategista do presidente dos EUA Donald Trump, disse que o governo norte-americano pode derrubar as taxas de 50% contra o Brasil caso os processos contra Jair Bolsonaro sejam encerrados.

“Derrubem o caso, derrubamos as tarifas”, disse Bannon, ao ser indagado pelo UOL se via alguma forma de o governo brasileiro negociar.

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Ele também afirmou que o governo norte-americano pode anunciar novas sanções, incluindo punições financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator das ações contra Bolsonaro.

As tarifas devem começar a valer em 1º de agosto. Trump, ao defender a suspensão, chamou as investigações no Brasil de “caça às bruxas” e disse que o julgamento de Bolsonaro é uma “vergonha internacional”.

Ele também acusou o STF de emitir “ordens ilegais e secretas” para apagar postagens de americanos nas redes sociais, inflamando críticas entre os aliados do ex-presidente.

Trump move ação contra Moraes

Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/Flickr
Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/Flickr

A menção de Trump tem ligação com uma ação movida na Flórida tanto pela Trump Media and Technology Group quanto pela plataforma Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes.

As empresas acusam Moraes de extrapolar sua autoridade ao enviar ordens judiciais a funcionários nos EUA, com foco em bolsonaristas que vivem no país. Elas pedem indenização financeira, mas tanto o ministro quanto o STF negam abuso de competência.

Outro episódio citado envolve Elon Musk, dono da rede X, que entrou em atrito com Moraes e o STF em 2024. Ele desobedeceu decisões para remover conteúdos falsos ou de ódio e manter representação legal no Brasil, o que levou à suspensão temporária da plataforma no país. Na época, Musk chegou a sugerir retaliações dos EUA ao Brasil, mas depois voltou atrás e cumpriu as exigências da Corte.

Bannon afirmou que Musk não teve qualquer papel nas decisões recentes sobre o Brasil e que não influenciou Trump. Ele também disse que Musk deixou o cargo de chefe do Departamento de Eficiência Governamental dos EUA depois de desentendimentos com o presidente.

Articulação política nos Estados Unidos

Durante o governo Bolsonaro, Elon Musk chegou a visitar o Brasil para tratar da instalação do serviço de internet via satélite Starlink na Amazônia. Mas, segundo Steve Bannon, acreditar que Musk teve influência nas sanções ou tarifas dos EUA é não entender como funciona a política americana. Ele afirmou que Musk nunca teve proximidade com Bolsonaro.

Bannon destacou que o verdadeiro apoio a Bolsonaro vem do movimento MAGA e de Donald Trump, que enxergam nos Bolsonaros uma identificação com o povo conservador americano. “Os Bolsonaros são amados aqui porque nós nos vemos neles — gente comum indo às ruas e dizendo: ‘Ei, nossas vozes contam’”, declarou.

Ele ainda ironizou Musk, dizendo que, embora seja um bom engenheiro, “em política, é como uma criança de 11 anos” e, por isso, foi afastado dos bastidores em Washington.

Segundo Bannon, quem articulou o apoio dentro dos EUA foram Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista Paulo Figueiredo. Eles teriam convencido Trump e aliados de que o Judiciário brasileiro age com parcialidade contra Bolsonaro. Bannon disse que discutiu o assunto diretamente com Trump e com o senador Marco Rubio, atual secretário de Estado.

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