Conhecido como “o juiz mais simpático do mundo”, Frank Caprio morreu na última quarta-feira, 20, aos 88 anos, em Providence, capital de Rhode Island, Estados Unidos. Desde 2023, ele lutava contra um câncer no pâncreas.
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Nas redes sociais, ambiente reconhecido por discórdia, conteúdos vazios e ostentação desmedida, Caprio se destacou por promover a justiça com cordialidade, sabedoria e humildade. Algo como uma versão moderna de Salomão, rei judeu que aparece na Bíblia como exemplo de decisões sábias e justas.
A Corte do juiz mais simpático do mundo
Por quatro décadas, o magistrado atuou na Corte Municipal de Providence, cidade onde nasceu e onde deu o último suspiro. Seu jeito fraterno e irreverente de tratar os réus levou à criação de um reality show que lhe rendeu fama mundial. Trata-se do Caught in Providence (Pego em Providência, em tradução livre), que viralizou na internet a partir de 2017.
Os vídeos do magistrado somam centenas de milhões de visualizações. Em uma entrevista de 2019, Caprio atribuiu o sucesso à identificação dos casos com o cotidiano. “Reflete os mesmos problemas que as pessoas estão enfrentando em todo o país”, afirmou. Mas havia um toque extra na fórmula: fé na humanidade.
“Amado por sua compaixão, humildade e crença inabalável na bondade das pessoas, o juiz Caprio tocou a vida de milhões através de seu trabalho no tribunal e além”, diz o comunicado da família. “Seu calor, humor e bondade deixaram uma marca indelével em todos os que o conheceram.”
Os julgamentos eram recheados de cenas de compaixão, como crianças ao lado do juiz com o malhete e sentenças brandas para cidadãos com notáveis contribuições à sociedade (como veteranos de guerra). Além disso, quando havia uma transgressão mais séria como objeto do julgamento, ele agia como um justo pai ao aplicar o castigo: sentenças duras, seguidas de conselhos com empatia.
Do homem ao malhete
Frank era filho de Antonio e Filomena Caprio. O pai, que trocou o sul da Itália por Providence, ganhava a vida vendendo frutas nas ruas. A mãe, nativa da cidade, era filha de imigrantes napolitanos e cuidava do lar. A família viveu em Federal Hill, bairro ítalo-norte-americano.
“Será lembrado não apenas como um juiz respeitado, mas como um marido, pai, avô, bisavô e amigo dedicado”, escreve a família sobre quem, ao menos para eles, também é o patriarca mais simpático do mundo.





































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