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Reconhecer a Palestina é ignorar os cidadãos

Diplomacia de países europeus se rende à histeria de uma minoria barulhenta

Manifestação pro-Palestina em Copenhague, na Dinamarca | Foto: Danish Times
Manifestação pro-Palestina em Copenhague, na Dinamarca | Foto: Danish Times

Em artigo publicado na Edição 289 da Revista Oeste, o jornalista Carlo Cauti detalha como governos da França, do Reino Unido, da Austrália, de Portugal, do Canadá e de outros países avançaram no reconhecimento da Palestina durante a 80ª Assembleia-Geral da ONU, em oposição à maioria de suas populações.

“Entre os franceses, mais de 70% rejeitam o reconhecimento do Estado Palestino”, registra o artigo. “Quase 90% dos britânicos também são contra. Somente um terço dos australianos concorda com a medida. Mesmo assim, os governos desses três países, além dos de Portugal, do Canadá e outros, decidiram ignorar seus cidadãos.”

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A decisão, apresentada como gesto diplomático, foi tomada sem exigir contrapartidas do Hamas, grupo que mantém reféns dos ataques de 7 de outubro de 2023. “Nenhuma contrapartida foi demandada, nem mesmo a entrega dos corpos dos sequestrados já falecidos por causa das condições desumanas às quais foram submetidos”. O episódio, segundo o texto, significou uma vitória política para os líderes do movimento islâmico, que celebraram publicamente a repercussão internacional.

As negociações que envolvem um possível cessar-fogo entre Israel e Hamas avançam, enquanto diferentes atores internacionais e regionais se manifestam sobre as propostas em discussão | Foto: Reprodução/Redes sociais
Mais de 140 Estados membro da ONU reconhecem a Palestina | Foto: Reprodução/Redes sociais

Além da dimensão política, o reconhecimento é questionado no campo jurídico. “No Direito internacional, reconhecer um Estado significa deixar claro que aquela entidade tem um governo, um povo e fronteiras definidas”, destaca. “No caso da Palestina, nenhuma dessas três características é verdadeira.” O artigo relembra que a divisão entre a Autoridade Nacional Palestina e o Hamas, somada à ausência de fronteiras precisas e à dispersão populacional, inviabiliza a definição do que seria o novo Estado.

A análise também chama a atenção para o contexto doméstico dos países que protagonizaram a decisão. “Todos os governos que decidiram reconhecer a Palestina sofrem do mesmo mal: são extremamente impopulares entre seus cidadãos”. A França enfrenta sucessivas trocas de primeiro-ministro, o Reino Unido lida com escândalos políticos e a Austrália convive com baixo apoio popular ao governo. Em comum, líderes enfraquecidos internamente recorrem a um gesto simbólico na arena internacional.

Entre as exceções, a posição da Itália se destaca. “A única posição sensata parece ser a da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que condicionou o reconhecimento do Estado Palestino à saída do Hamas”. Mesmo improvável de se concretizar, a condicional estabelecida pelo governo italiano é apresentada como um freio à legitimação do grupo terrorista.

O artigo conclui que o reconhecimento da Palestina, nas condições atuais, serve mais como instrumento político interno do que como avanço real na busca pela paz no Oriente Médio. A íntegra do artigo “Um presente para o Hamas” está disponível a todos os mais de 100 mil assinantes da Revista Oeste.

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