Em seu apogeu, o nome Habsburgo foi sinônimo de poder absoluto. Era a casa real mais influente da Europa, com braços tão longínquos quanto o Novo Mundo, uma vez que a mãe do imperador brasileiro Dom Pedro II pertencia a essa mesma família. Mas o declínio absoluto aconteceu no fim da Segunda Guerra Mundial, quando a família perdeu seu principal império, a Áustria. Começava aí a saga das joias pessoais do casal de imperadores austríacos depostos, guardadas há décadas no Canadá, sem que quase ninguém soubesse do paradeiro até há poucos dias.
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Quando Carlos I da Áustria foi deposto, perdeu a maior parte dos bens, incluindo, por exemplo, as joias da coroa. Porém, o monarca conseguiu manter algumas pedras preciosas, broches e outros souvenirs de luxo de uso pessoal. Nada que fosse uma montanha. Cabiam em uma mala. Ainda assim, algumas peças têm valor inestimável, entre elas o famoso e cobiçado diamante Florentino.
Tesouro escondido
Segundo o portal alemão Deutsche Welle, o Florentino pertenceu ao grão-duque de Florença, na Toscana. A pedra passou para os Habsburgo depois da morte do último membro florentino dos Médici, outra família europeia que, no passado, concentrou poder extremo por todo o continente.
É uma pedra inconfundível. Tem o tamanho de uma noz e é amarela. No passado, chegou a ostentar o título de maior pedra do tipo. Ainda assim, ficou escondida do resto do mundo por mais de um século, até ter seu paradeiro revelado na última quinta-feira, 6.
Medo do presente
Com a deposição de Carlos I, a família foi obrigada a partir para o exílio já em 1919 e levou a mala de joias com o diamante Florentino na bagagem. Quando o ex-imperador morreu em 1922, Zita de Bourbon-Parma, mulher do falecido, ordenou que a família escondesse o tesouro por 100 anos. Era o medo de perder o quinhão remanescente dos tempos de glória.
Inicialmente, enviaram a mala para a Suíça, o destino europeu mais famoso para fortunas escondidas. Entretanto, a ascensão nazista no continente fez a família temer pela segurança própria e do tesouro, mesmo com a neutralidade dos suíços. Zita passou a ser perseguida por se opor formalmente a Adolf Hitler, o ditador absoluto e condutor do nazismo. Em 1940, a ex-imperatriz cruzou o Atlântico, acompanhada dos filhos e da mala com joias. Eles partiram para Quebec, no Canadá, onde o tesouro de Carlos I da Áustria repousa até hoje. Mas poucos sabiam do paradeiro até a última quinta-feira. Até mesmo alguns herdeiros foram privados dessa informação, conforme revelou Karl von Habsburgo, político austríaco e neto do último monarca de seu país.
Karl é hoje o chefe da casa real que leva o nome de sua família. Isso significa que, caso a Áustria ainda fosse um império, ele seria o monarca. Ele próprio soube apenas no ano passado do paradeiro da mala de joias da família Habsburgo no Canadá, um segredo revelado por seus primos mais velhos.
Dom Pedro II, o primeiro monarca Habsburgo nascido no Brasil
Dom Pedro I do Brasil era da Casa de Bragança, a poderosa família que reinou em Portugal e seus domínios. Em 1817, aconteceu seu primeiro casamento. Na época, ele ainda era príncipe. A noiva era Leopoldina da Áustria, filha de Francisco I, Habsburgo e imperador austríaco. Com o matrimônio, ela foi morar no Brasil, onde concebeu e deu à luz sete filhos, todos com o marido. O mais famoso é Dom Pedro II, que sucedeu ao pai no trono e é o primeiro (e único) monarca da família Habsburgo nascido no Brasil — ao menos por enquanto.






































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