O então ministro dos Exércitos da França, Sébastien Lecornu, foi escolhido pelo presidente Emmanuel Macron nesta terça-feira, 9, para assumir o cargo de primeiro-ministro, diante da saída de François Bayrou. A troca de comando aconteceu depois de Bayrou perder uma moção de confiança no Parlamento francês, quando deputados rejeitaram, por 364 votos a 194, a permanência de seu governo minoritário.
Bayrou formalizou sua renúncia nesta terça-feira, durante encontro no Palácio do Eliseu. O presidente Macron havia prometido anunciar rapidamente o sucessor, descartando nomes como Xavier Bertrand, que afirmou não ter interesse, e confirmando Lecornu como responsável pela montagem do novo ministério.
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O governo Bayrou durou nove meses, enquanto seu antecessor, Michel Barnier, permaneceu apenas três. Nos últimos dois anos, a França já teve quatro chefes de governo. Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia Nacional e integrante do Renascimento, partido de Macron, manifestou interesse em assumir o comando do Executivo.
Le Président de la République m'a confié la tâche de construire un Gouvernement avec une direction claire : la défense de notre indépendance et de notre puissance, le service des Français et la stabilité politique et institutionnelle pour l'unité du pays.
— Sébastien Lecornu (@SebLecornu) September 9, 2025
Je tiens à le…
Olivier Faure, do Partido Socialista, sugeriu reunir uma coalizão de esquerda moderada até a direita para governar. Entretanto, as chamadas ultraesquerda e ultradireita rejeitaram apoiar qualquer gabinete liderado por socialistas. Setores da oposição pedem a renúncia de Macron, que tem mandato até 2027 e não pode buscar reeleição.
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Lecornu, reconhecido por sua habilidade de negociação, pretende definir a composição de seu gabinete depois de consultar diferentes partidos políticos. O novo premiê é visto como leal a Macron e, segundo a imprensa francesa, destaca-se por não demonstrar interesse em disputar a Presidência em 2027, característica valorizada pelo atual chefe de Estado.

Nomeação acontece na véspera de protestos da esquerda na França
A trajetória política de Lecornu começou cedo: aos 19 anos, tornou-se o mais jovem assistente parlamentar da Assembleia Nacional. Em 2014, foi eleito prefeito de Vernon, na Normandia, pela UMP. Em 2017, rompeu com François Fillon e aderiu à campanha centrista de Macron, consolidando-se como aliado próximo. Em 2019, ganhou confiança do presidente ao propor um “grande debate nacional” durante a crise dos “coletes amarelos”.
Lecornu mantém relação próxima com Brigitte Macron, primeira-dama francesa, e é chamado de “chouchou” por jornais locais. A posse do novo primeiro-ministro ocorre em meio à expectativa de uma paralisação nacional, o Bloquons Tout, marcada para esta quarta-feira, 10. O movimento, estimulado pela ultraesquerda contra medidas de austeridade, mobiliza 80 mil policiais em todo o país devido ao receio de tumultos.
Na véspera da paralisação, pelo menos nove cabeças de porco foram encontradas em frente a mesquitas de Paris e região, sendo que em cinco delas o nome “Macron” estava escrito em tinta azul. O presidente e o ministro do Interior, Bruno Retailleau, condenaram o ocorrido. “Ato islamofóbico não tem lugar na França”, afirmou. Já Jean-Luc Mélenchon, líder da ultraesquerda, acusou Retailleau de incitar ações contra muçulmanos.
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