publicidade
Mundo

Presidente do Congo denuncia 'genocídio silencioso' em seu país

Fala ocorreu durante a Assembleia-Geral da ONU, quando Félix Tshisekedi mudou o foco dos debates para falar dos confrontos com tropas ruandesas

Félix Tshisekedi presidente Congo ONU
Félix Tshisekedi está na presidência desde 2019 | Foto: Reprodução/Instagram Félix Tshisekedi

“Milhões de mortos, vilarejos devastados, quase sete milhões de deslocados e ataques que têm mulheres e crianças como alvo”. Foi com esta frase que o presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, mudou o foco dos debates na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta semana, ao denunciar, na tribuna um “genocídio silencioso” em curso, segundo ele, há mais de três décadas em seu país.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

Em Nova York, o líder congolês, na presidência desde 2019, afirmou que há sinais evidentes de um plano de extermínio no leste do Congo e cobrou ação imediata da comunidade internacional. “Reconheçam o genocídio congolês, apoiem nossa luta por verdade e justiça e nos ajudem finalmente a construir uma paz duradoura no coração da África.”

Para ele, apenas a retirada das tropas ruandesas, o fim do apoio militar ao Movimento 23 de Março (M23) e a retomada do controle estatal sobre as áreas ocupadas podem abrir caminho para a paz.

A violência se concentra em uma região mineralmente estratégica, palco de conflitos desde os anos 1990. A crise se agravou em 2021, quando o M23 retomou suas ofensivas com apoio de Ruanda, segundo a ONU. Relatórios recentes revelam crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por vários grupos armados.

Somente nos dois primeiros meses de 2025, ocorreram cerca de 7 mil mortes nos confrontos no leste da RDC, segundo a CNN.

Tshisekedi pediu sanções contra responsáveis por crimes de guerra, crimes econômicos e genocídio, além do bloqueio ao comércio ilegal de minerais que, segundo ele, tem sustentado a violência. “Por décadas, os minerais financiaram a guerra e a tragédia humana”, lembrou.

Congo assinou acordo

O presidente da RDC citou ainda o acordo de paz assinado em junho entre RDC e Ruanda, que previa a interrupção das atividades do M23 e das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR). No entanto, rebeldes voltaram a capturar cidades em Kivu do Norte e do Sul, o que provocou uma nova onda de deslocados.

Leia mais: “EXCLUSIVO: líder da oposição em Angola denuncia perseguição do governo”

Tshisekedi defendeu a criação urgente de uma comissão internacional independente, com recursos adequados, para investigar os crimes, garantir justiça às vítimas e romper o ciclo de impunidade. Ele também pediu o envolvimento da União Africana, dos países vizinhos e de organizações da sociedade civil.

A fala ocorreu dias depois de o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciar que Paris sediará em outubro uma conferência internacional para discutir soluções para o leste congolês e implementar um plano humanitário.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade