“Milhões de mortos, vilarejos devastados, quase sete milhões de deslocados e ataques que têm mulheres e crianças como alvo”. Foi com esta frase que o presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, mudou o foco dos debates na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta semana, ao denunciar, na tribuna um “genocídio silencioso” em curso, segundo ele, há mais de três décadas em seu país.
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Em Nova York, o líder congolês, na presidência desde 2019, afirmou que há sinais evidentes de um plano de extermínio no leste do Congo e cobrou ação imediata da comunidade internacional. “Reconheçam o genocídio congolês, apoiem nossa luta por verdade e justiça e nos ajudem finalmente a construir uma paz duradoura no coração da África.”
Para ele, apenas a retirada das tropas ruandesas, o fim do apoio militar ao Movimento 23 de Março (M23) e a retomada do controle estatal sobre as áreas ocupadas podem abrir caminho para a paz.
A violência se concentra em uma região mineralmente estratégica, palco de conflitos desde os anos 1990. A crise se agravou em 2021, quando o M23 retomou suas ofensivas com apoio de Ruanda, segundo a ONU. Relatórios recentes revelam crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por vários grupos armados.
Somente nos dois primeiros meses de 2025, ocorreram cerca de 7 mil mortes nos confrontos no leste da RDC, segundo a CNN.
Tshisekedi pediu sanções contra responsáveis por crimes de guerra, crimes econômicos e genocídio, além do bloqueio ao comércio ilegal de minerais que, segundo ele, tem sustentado a violência. “Por décadas, os minerais financiaram a guerra e a tragédia humana”, lembrou.
Congo assinou acordo
O presidente da RDC citou ainda o acordo de paz assinado em junho entre RDC e Ruanda, que previa a interrupção das atividades do M23 e das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR). No entanto, rebeldes voltaram a capturar cidades em Kivu do Norte e do Sul, o que provocou uma nova onda de deslocados.
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Tshisekedi defendeu a criação urgente de uma comissão internacional independente, com recursos adequados, para investigar os crimes, garantir justiça às vítimas e romper o ciclo de impunidade. Ele também pediu o envolvimento da União Africana, dos países vizinhos e de organizações da sociedade civil.
A fala ocorreu dias depois de o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciar que Paris sediará em outubro uma conferência internacional para discutir soluções para o leste congolês e implementar um plano humanitário.
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