publicidade
Mundo

Pela 14ª vez, Irã prende ativista laureada com o Nobel da Paz

Narges Mohammadi é uma das principais vozes pelos direitos das mulheres no país persa

Narges Mohammadi venceu o Nobel da Paz em 2023 | Foto: Narges Foundation/Divulgação
Narges Mohammadi venceu o Nobel da Paz em 2023 | Foto: Narges Foundation/Divulgação

A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, foi presa nesta sexta-feira, 12, durante uma cerimônia em Mashhad, no nordeste do Irã. Segundo informações divulgadas pela Fundação Narges, forças de segurança à paisana detiveram Mohammadi de forma violenta enquanto participava de uma homenagem ao advogado Khosrow Alikordi, encontrado morto em circustâncias suspeitas na semana passada.

De acordo com a fundação, Mohammadi havia feito um discurso no evento antes de ser levada pelas forças de segurança. Além dela, jornalistas e defensores de direitos humanos também foram presos no local. Até o momento, as autoridades iranianas não informaram oficialmente o paradeiro de Mohammadi nem o motivo formal das detenções. Também não há informações sobre o local para onde os presos foram levados.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste

Entidades repudiam prisão de ativista

Em comunicado, a Coalização Narges Livre condenou as prisões e pediu a libertação imediata dos detidos. Segundo o comitê diretor do grupo, as prisões são “um ataque ultrajante a todos os defensores de direitos humanos e jornalistas no Irã”. O texto afirma ainda que os episódios representam “evidência clara de uma nova repressão à liberdade de reunião, à liberdade de imprensa e aos direitos humanos”.

A organização Human Rights Watch declarou estar “profundamente alarmada” com as prisões e pediu que as autoridades libertem “imediata e incondicionalmente” todos os detidos por exercerem seus direitos humanos.

O Comitê do Nobel também se manifestou. Em nota, afirmou estar “profundamente preocupado com a prisão brutal de Narges Mohammadi, juntamente com vários outros ativistas”. O comitê pediu que o governo iraniano esclareça o paradeiro da ativista, garanta sua segurança e a liberte sem condições.

Narges Mohammadi venceu o Nobel da Paz

Narges Mohammadi, nascida em 1972, é defensora de direitos humanos, escritora e jornalista. Ela atua como vice-diretora e porta-voz do Centro de Defensores dos Direitos Humanos (DHRC), organização fundada por Shirin Ebadi, vencedora do Nobel da Paz em 2003. Ao longo de mais de duas décadas, Mohammadi participou de campanhas contra a pena de morte e denunciou o uso de tortura e violência sexual por autoridades iranianas.

Segundo informações divulgadas pela Fundação Narges, Mohammadi passou mais de dez anos presa e já foi detida 13 vezes, sendo esta a 14ª, sob acusações como “atividade de propaganda contra o Estado” e “conluio contra a segurança do Estado”. Sua prisão mais recente ocorreu entre novembro de 2021 e dezembro de 2024.

A ativista iraniana Narges Mohammedi | Foto: Reprodução/Redes sociais
A ativista iraniana Narges Mohammedi | Foto: Reprodução/Redes sociais

Ela foi libertada da prisão em dezembro de 2024, depois da suspensão de sua pena por motivos médicos, em virtude de de uma cirurgia realizada em novembro daquele ano. Desde então, de acordo com a fundação, Mohammadi passou a ser alvo recorrente de ameaças e assédio. Em julho deste ano, o Ministério da Informação teria advertido seus advogados para que ela não concedesse entrevistas, não mobilizasse grupos de direitos humanos nem promovesse atividades públicas relacionadas ao tema.

Em outubro de 2023, quando foi anunciado o Prêmio Nobel da Paz, Mohammadi estava detida. Na ocasião, declarou: “Nunca deixarei de lutar pela realização da democracia, da liberdade e da igualdade”, garantiu. “O Nobel da Paz me tornará mais resiliente, determinada, esperançosa e entusiasmada.”

Leia também: “Festival de terror”, artigo de Miriam Sanger publicado na Edição 237 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.