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Paquistão condena jornalistas à prisão perpétua por 'ataques às instituições'

Governo acusa comunicadores de direita de incitarem ódio durante protestos

Shehbaz Sharif, atual primeiro-ministro do Paquistão
Shehbaz Sharif, atual primeiro-ministro do Paquistão | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Um tribunal de Islamabad, capital do Paquistão, condenou, nesta sexta-feira, 2, sete pessoas à prisão perpétua por incitação à violência durante protestos registrados em 2023, depois da prisão do ex-primeiro-ministro de direita Imran Khan. Entre os condenados estão três jornalistas, dois influenciadores e dois oficiais aposentados do Exército.

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A sentença foi anunciada pelo juiz Tahir Abbas Sipra, de uma corte antiterrorismo, depois da conclusão de julgamentos realizados à revelia, ou seja, sem a presença dos acusados. Nenhum deles compareceu ao tribunal, pois vivem no exterior há alguns anos depois de deixarem o país para evitar a prisão.

Foram condenados os jornalistas Shaheen Sehbai, Sabir Shakir e Moeed Pirzada; os influenciadores Wajahat Saeed e Haider Raza Mehdi; além dos oficiais aposentados Adil Raja e Akbar Hussain, de acordo com a agência Associated Press.

Prisão de ex-primeiro-ministro deflagrou protestos

As acusações envolvem protestos ocorridos em maio de 2023, depois que Khan foi detido em um caso de corrupção. Na ocasião, milhares de apoiadores do ex-primeiro-ministro atacaram instalações militares, incendiaram prédios públicos, saquearam a residência de um alto oficial do Exército e danificaram o edifício da rádio estatal Radio Pakistan.

Khan também foi denunciado em 2024 por acusações de incitação à violência contra alvos militares e governamentais. Ele nega as acusações. Khan deixou o cargo em abril de 2022, depois de ser derrubado por adversários políticos em uma votação no Parlamento.

Segundo a promotoria, os sete condenados, conhecidos por apoiarem publicamente Khan, teriam incentivado atos violentos durante os protestos de 9 de maio de 2023. Naquele período, Khan afirmava repetidamente que sua saída do poder teria sido resultado de uma conspiração entre os Estados Unidos e as Forças Armadas paquistanesas.

Defesa nega acusações e fala em perseguição política no Paquistão

Shakir, que antes apresentava um programa na emissora Ary TV e deixou o Paquistão antes dos protestos, afirmou à agência Associated Press que estava ciente da condenação. Segundo ele, sequer estava no país quando a polícia o acusou de incentivar a violência.

“A decisão contra mim e os outros não passa de uma perseguição política”, disse. Ele relatou que viajou à Arábia Saudita antes dos protestos para uma peregrinação a Meca e, depois, seguiu para o Reino Unido, onde solicitou asilo político por acreditar que poderia enfrentar o que chamou de “casos fabricados” caso retornasse ao Paquistão.

Ele acrescentou que o julgamento ocorreu sem que os argumentos de seu advogado fossem ouvidos e que recebeu duas penas de prisão perpétua no processo. Os sete condenados têm o direito de apresentar recurso no prazo de sete dias. O tribunal determinou que a polícia prenda os envolvidos e os encaminhe à prisão caso retornem ao Paquistão.

Leia também: “A ofensiva da censura”, reportagem de Branca Nunes publicada na Edição 141 da Revista Oeste

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