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Papa Leão XIV: livro revela bastidores e votos secretos do conclave

Obra de jornalistas detalha eleição do sucessor de Francisco, incidentes com celulares e a vitória do norte-americano Robert Prevost

O papa Leão XIV durante a tradicional bênção “Urbi et Orbi” | Foto: Divulgação/Vaticano
O papa Leão XIV durante a tradicional bênção “Urbi et Orbi” | Foto: Divulgação/Vaticano

Os jornalistas Gerard O’Connel e Elisabetta Piqué lançaram nesta quinta-feira, 5, o livro O Último Conclave, que reconstitui a eleição do papa Leão XIV. A obra, publicada no exterior pela editora Arpa, revela detalhes da votação e dos acordos nos bastidores do Vaticano. Os autores, correspondentes internacionais em Roma, utilizaram entrevistas com cardeais e declarações anônimas para descrever os dias que sucederam a morte do papa Fransico, em 21 de abril, até a escolha do novo pontífice em 8 de maio.

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A narrativa destaca que o papa Leão XIV, o norte-americano Robert Prevost, venceu a disputa na quarta votação, com 108 votos. Antes de sua morte, Francisco teria sinalizado discretamente Prevost como sucessor ao nomeá-lo cardeal-bispo, o posto mais alto do Colégio Cardinalício. O livro afirma que o novo papa não enfrentou rivais diretos na sucessão, apesar das tentativas de influência externa e de campanhas da imprensa italiana por um nome local.

Incidentes durante o conclave que escolheu o papa Leão XIV

O relato descreve episódios incomuns durante o período de reclusão dos 133 cardeais votantes. A segurança detectou o sinal de um telefone celular dentro da Capela Sistina, o que atrasou uma das rodadas de votação. Segundo os autores, um religioso esqueceu o aparelho no bolso, embora o livro não revele o nome do responsável. Outros incidentes incluem o descuido do cardeal espanhol Carlos Osoro Sierra, que votou duas vezes por engano, e religiosos que precisaram ser acordados por colegas por não programar despertadores.

A obra também expõe a movimentação das diversas alas da Igreja. O cardeal conservador Péter Erdö liderou as intenções iniciais, mas perdeu força ao longo do processo. Já o arcebispo de Marselha, Jean-Marc Aveline, alcançou a terceira colocação, um feito inédito para um francês na história recente. O texto descreve ainda críticas abertas do italiano Beniamino Stella ao falecido Francisco e o fracasso da candidatura do secretário de Estado, Pietro Parolin, que não obteve chances reais de vitória.

Os autores detalham as manobras para influenciar o resultado, como a distribuição de biografias de cardeais favoritos entre os eleitores. Setores conservadores tentaram emplacar nomes que rompessem com a linha do pontificado anterior, mas o apoio a Prevost cresceu por causa de sua trajetória missionária no Peru e da confiança depositada por Francisco. O formato de diário de bordo adotado pelos jornalistas tenta mostrar ao público o que ocorre por trás das portas fechadas da Capela Sistina.

Leia também: “Papa Leão XIV presenteia padre Júlio Lancellotti com rosário”

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