O papa Leão XIV usou o seu primeiro pronunciamento de Páscoa, na Basílica de São Pedro, para cobrar uma guinada das potências globais. Do balcão central do Vaticano, o pontífice dirigiu-se aos detentores do poder com uma ordem direta.
“Quem tem armas nas mãos, que as deponha”, disse, ao afirmar que a paz nasce do diálogo, e não da imposição militar ou do desejo de controle.
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O líder da Igreja Católica também anunciou uma vigília especial de oração para o próximo sábado, 11 de abril. A iniciativa busca repetir o esforço do Vaticano em 2013, quando realizou evento similar contra a guerra na Síria.
O papa reforçou que a ressurreição de Cristo representa uma vitória “completamente não violenta”, comparando a força da fé ao crescimento de um grão de trigo que rompe o solo sem agredir a terra.
“Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo”, declarou.
O combate à apatia
Leão XIV alertou a humanidade para a normalização da morte, em virtude de conflitos armados.
Para Sua Santidade, a sociedade mergulhou em uma “globalização da indiferença”, onde a dor dos mais fracos e os abusos sociais deixaram de causar indignação.
Em sua homilia, o pontífice reconheceu que a crueldade e a injustiça persistentes muitas vezes fazem parecer que Deus não existe. Todavia, ele pregou que a Páscoa oferece a esperança de uma “nova criação” diária.
O papa incentivou os fiéis a rejeitarem o instinto de vingança, mesmo quando feridos por ofensas graves: “A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a silenciar as armas, mas aquela que transforma o coração”.
Com a conclusão do rito, o papa saudou a multidão em dez idiomas, incluindo árabe, chinês, latim e português.
Já o cardeal Dominique Mamberti confirmou a concessão de indulgência plenária a todos os presentes.
O pontífice encerrou sua primeira Páscoa com a tradicional bênção Urbi et Orbi, pedindo que o mundo abandone a vontade de poder e se abra ao encontro sincero entre os povos.
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