O regime da Venezuela afirmou, neste domingo, 8, que buscava autorização judicial para colocar o político de oposição Juan Pablo Guanipa em prisão domiciliar. Ele foi levado por homens armados em Caracas horas depois de sua liberação da prisão, onde ficou por mais de oito meses, sob acusações de liderar um “complô terrorista”.
O filho mais novo de Guanipa e a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz e aliada do ex-deputado, classificaram o ocorrido como sequestro. “Homens fortemente armados, vestidos com roupas civis, chegaram em quatro veículos e o levaram à força”, escreveu María Corina em publicação no X.
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O Ministério Público da Venezuela, em comunicado, disse que Guanipa violou os termos de sua libertação, mas não deu detalhes. Também não informou se ele havia sido novamente preso. “Meu pai foi novamente sequestrado”, disse o filho do ex-deputado em vídeo publicado no X.
Horas antes do sequestro, Guanipa havia publicado vídeos nas redes sociais nos quais falava a jornalistas e a uma multidão de apoiadores entusiasmados. Ele pediu a libertação de outros presos políticos e classificou a atual administração do país como ilegítima.
Em entrevista a um veículo on-line local, Guanipa afirmou ter conversado brevemente com María Corina Machado depois de ser libertado e esperava voltar a conversar com ela no dia seguinte. A oposição venezuelana e grupos de direitos humanos afirmam há anos que o regime socialista do país usa detenções para sufocar a dissidência.
Regime chavista nega manter presos políticos na Venezuela
A ditadura da Venezuela nega manter presos políticos e diz que os detidos cometeram crimes. Autoridades afirmam que quase 900 pessoas foram libertadas desde a queda do ditador Nicolás Maduro, mas não esclarecem o cronograma e parecem incluir liberações de anos anteriores.
O regime não divulgou uma lista oficial de quantos presos serão libertados nem revelou suas identidades. A reeleição de Maduro em 2024 foi amplamente considerada fraudulenta, e vários países, incluindo Estados Unidos, Argentina e Paraguai, não reconhecem a legitimidade do atual governo.
A ONG Foro Penal afirmou que 383 presos políticos foram libertados desde que o regime venezuelano anunciou, em 8 de janeiro, que iniciaria uma nova série de liberações.
Neste domingo, o grupo contabilizou outras 35 solturas, incluindo o político de oposição Freddy Superlano e o advogado Perkins Rocha, também aliados próximos de María Corina Machado. O diretor da organização, Alfredo Romero, disse nas redes sociais que ainda não havia informações claras sobre quem levou Guanipa.
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