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ONU debate uso da força para garantir navegação no Estreito de Ormuz

Texto do Bahrein propõe autorizar 'meios defensivos necessários' para proteger embarcações comerciais; China, França e Rússia divergem

Irã EUA veta resolução do Conselho de Segurança da ONU; Venezuela Brasil
Reunião do Conselho de Segurança da ONU | Foto: Loey Felipe/UN Photo

O futuro da navegação no Estreito de Ormuz volta ao centro das discussões internacionais, com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) prestes a votar uma proposta do Bahrein que permite o uso da força para garantir a passagem de embarcações comerciais. A votação, inicialmente prevista para esta sexta-feira, 3, pode ser adiada para sábado, 4, em razão de feriado na ONU, segundo diplomatas.

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Apesar da urgência apontada por países árabes, a iniciativa encontra forte resistência de França, China e Rússia, integrantes permanentes e com poder de veto. Esses países rejeitam qualquer autorização formal para uso da força na região. Assim, ameaçam barrar a aprovação da resolução, que exige nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros principais.

Importância de Ormuz e agravamento da crise

O Estreito de Ormuz, localizado na costa do Irã, é estratégico para o comércio global de petróleo e gás. Ele é responsável pelo fluxo de aproximadamente 20% desses insumos no mundo.

Recentemente, a escalada de ataques atribuídos ao Irã e a instalação de minas navais agravaram a instabilidade local. Nesta quinta-feira, 2, o preço do barril de petróleo chegou a US$ 109.

O texto elaborado pelo Bahrein, na presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, propõe autorizar “todos os meios defensivos necessários” para proteger embarcações comerciais durante pelo menos seis meses. No entanto, segundo diplomatas, versões anteriores já haviam sido rejeitadas por China, França e Rússia, que pressionaram por modificações para suavizar o teor do projeto.

Impasses diplomáticos e posições divergentes

Foto satellitar do Estreito de Ormuz | Foto: divulgação
Imagem de satélite do Estreito de Ormuz | Foto: Divulgação

O enviado chinês Fu Cong afirmou que autorizar o texto “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e poderia causar uma escalada com “graves consequências”.

O impasse se intensifica depois de semanas de negociações reservadas no conselho, tendo como ponto principal de discórdia a autorização para uso de “todos os meios necessários”.

Leia mais: “O exército das sombras”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na Edição 316 da Revista Oeste

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, defendeu a resolução ao dizer que a “tentativa ilegal e injustificada” do Irã de controlar a navegação “ameaça interesses globais e exige uma resposta decisiva”. Ele alegou ainda que o país persa atacou estruturas civis, como aeroportos e portos.

Do lado iraniano, as autoridades manifestaram intenção de manter a supervisão do tráfego no estreito, mesmo depois do conflito. Elas destacaram que o bloqueio já impactou a economia global, com elevação nos custos de energia, transporte e seguros.

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