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Número de mortos em terremoto no Afeganistão supera 1,4 mil

O governo afegão, comandado pelo Talibã, afirma ser impossível prever quantos corpos ainda estão sob os escombros

Destruição causada por terremoto de magnitude 6 no Afeganistão
Destruição causada por terremoto de magnitude 6 no Afeganistão | Foto: Reprodução/X

O número de mortos pelo terremoto que atingiu o Afeganistão nesta segunda-feira, 1º, , subiu para 1.411, segundo informou o governo do grupo terrorista Talibã nesta terça-feira, 2. Deslizamentos de terra e destruição de vilarejos agravaram a tragédia, pois dificultam o resgate de sobreviventes e o acesso a áreas isoladas.

“Não podemos prever com precisão quantos corpos ainda podem estar presos sob os escombros”, afirmou Ehsanullah Ehsan, chefe de gestão de desastres da província de Kunar, a mais atingida. O Ministério da Saúde pediu apoio internacional para as operações de resgate e reconstrução, enquanto soldados do Talibã foram mobilizados para auxiliar no atendimento emergencial.

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Ehsan afirma que a prioridade é encerrar rapidamente as buscas e iniciar o envio de auxílio às famílias. As equipes de resgate continuam as operações nas regiões mais afetadas, mesmo com a limitação de estradas e a fragilidade das casas de barro, que aumentam o risco de desmoronamentos.

O terreno abrupto, o clima desfavorável e as estradas estreitas têm dificultado a chegada de máquinas e ambulâncias aos vilarejos. Helicópteros vêm sendo usados para transportar suprimentos e evacuar feridos para hospitais em Cabul, capital do país, e em Nangarhar. Muitos pacientes foram transferidos devido à gravidade dos ferimentos e à falta de infraestrutura local.

A crise humanitária se agrava, porque o Afeganistão já sofre com recursos limitados e uma ajuda internacional escassa. A calamidade também piorou depois das recentes deportações em massa de afegãos de países vizinhos.

Talibã relatório ONU
Violência do Talibã contra mulheres pode ser vista como crime contra a humanidade | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Unicef envia ajuda humanitária

Desde a retomada do poder pelo Talibã, em 2021, o país perdeu grande parte do financiamento internacional, prejudicando ainda mais a resposta a catástrofes. Restrições impostas pelo regime, sobretudo às mulheres, têm impactado o fluxo de doações.

Em resposta à tragédia, a Unicef anunciou o envio de medicamentos, roupas, tendas, lonas e itens de higiene para atender a população afetada, destacando que milhares de crianças correm riscos. O Reino Unido destinou £ 1 milhão (R$ 7,3 milhões) para apoiar ações da ONU e da Cruz Vermelha Internacional.

A Índia enviou mil tendas e 15 toneladas de alimentos para Kunar, enquanto China, Emirados Árabes, Paquistão e Irã também prometeram assistência.

Terremoto é um dos mais letais da história do Afeganistão

O epicentro foi registrado a apenas 8 km de profundidade, próximo a Jalalabad, capital de Nangarhar, na fronteira com o Paquistão. Além do tremor principal, cinco abalos secundários foram sentidos em outras partes do país, mas não houve danos reportados no território paquistanês.

Muitos dos atingidos haviam retornado recentemente ao Afeganistão depois de serem expulsos do Paquistão e do Irã, com cerca de 4 milhões de repatriados no total. Aproximadamente 2 mil famílias refugiadas recomeçavam suas vidas na zona rural devastada pelo sismo.

O país está localizado em uma região propensa a terremotos, principalmente na Cordilheira do Hindu Kush, onde as placas tectônicas indiana e eurasiática se encontram. O desastre figura entre os mais letais da história recente do Afeganistão, que já registrou ao menos 1,3 mil mortes em outubro de 2023, em Herat, e mais de mil vítimas em junho de 2022 por tremores similares.

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