Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 21, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, comentou o falecimento do papa Francisco. O religioso brasileiro relembrou momentos marcantes do pontificado e falou sobre a possibilidade de um novo papa ser eleito fora da Europa.
“A maioria dos cardeais não é mais europeia”, ressaltou Scherer. “América Latina e do Norte têm um grande peso. A África tem um peso significativo e a Ásia também tem um peso no colégio cardinalício. Ninguém deveria se surpreender se fosse escolhido um cardeal africano ou asiático para ser papa.”
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A coletiva antecedeu a missa de sufrágio celebrada por dom Odilo na Catedral da Sé, em São Paulo. O bispo confirmou que participará do conclave, por ter menos de 80 anos, e disse aguardar as definições oficiais sobre o funeral e as congregações gerais que precedem a eleição do novo pontífice.
Perguntado sobre a possibilidade de ser ele mesmo um candidato ao papado, respondeu com diplomacia: “Todos têm o direito de torcer”, disse. “Agora vêm as especulações e como aqui no Brasil, no México, nos Estados Unidos, em Portugal, na Espanha, na Itália, na África do Sul, na Indonésia, em todo lugar vão se fazer as especulações e torcidas.”
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Sobre o perfil dos cardeais hoje, dom Odilo destacou a crescente diversidade geográfica promovida por Francisco. “O colégio cardinalicio é muito menos italiano, muito menos europeu.”
Segundo ele, essa mudança “abre possibilidades concretas” para que o sucessor de Francisco venha de regiões historicamente periféricas da Igreja Católica, sem que isso signifique um afastamento da Europa. “Qualquer um que for escolhido como papa receberá o cuidado da igreja como um todo, e, portanto, é o tempo do pontificado que vai depois dizer por onde vão.”

O arcebispo ressaltou que o próximo papa deverá continuar o serviço sem se apegar a classificações como “progressista” ou “conservador”. Para ele, tais rótulos vêm de fora da Igreja: “A Igreja em base é o ensinamento dela do evangelho, é tanto progressista como conservadora.”
“A opção pelos pobres, a atenção à justiça social, o cuidado dos migrantes, a preocupação com a paz do mundo, são posturas progressistas ou conservadoras?”, perguntou o cardeal, que logo respondeu: “Não, são posturas do evangelho.”
O legado do papa Francisco
O arcebispo também traçou um panorama da trajetória do papa Francisco e destacou sua atuação firme na correção de desvios morais no clero, especialmente no enfrentamento dos casos de pedofilia. “O papa Francisco fez uma legislação para limpar o meio do clero”, destacou. “Acaba que o clero todo leva de alguma maneira a fama.”
A simplicidade de Francisco também foi exaltada. “Desde o primeiro dia depois da sua eleição, ele fez algumas escolhas que marcaram”, comentou, ao mencionar o fato de o papa ter preferido morar na Casa Santa Marta, em vez do palácio apostólico.
Dom Odilo ressaltou ainda o desejo de Francisco de ser enterrado na basílica de Santa Maria Maior, e não na tradicional Basílica de São Pedro. “O papa manifestou o seu desejo de ser sepultado nesta basílica e não na basílica de São Pedro, como normalmente os últimos papas foram sepultados.”
Em tom emocionado, o cardeal relembrou o último encontro com Francisco, poucos dias antes de sua internação. “Estive em Roma, junto com três padres, era quarta-feira e participei da audiência geral”, recordou. “Era o único cardeal presente naquela audiência. Tinha alguns outros bispos e me impressionou como o papa estava abatido.”
“Ele saudou o povo com duas ou três palavras, se desculpou por não poder ler pessoalmente a mensagem e disse que na próxima vez já estaria melhor”, lembrou o cardeal brasileiro. Pouco depois, o papa foi internado com pneumonia no Hospital Gemelli, em Roma, onde ficou por quase 40 dias.
Na parte final da coletiva, dom Odilo apelou à superação das polarizações e disse que o testemunho de Francisco — de firmeza aliada ao diálogo — deveria inspirar a sociedade. “Para se superar, muitas vezes um clima de polarização, de antagonismo, que leva a conflitos, que leva à violência e que leva à desintegração social.”
Leia também: “Fé sem fronteiras”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 239 da Revista Oeste









































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