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Mulher uigur relata em livro a tortura que sofreu na China

Gulbahar Haitiwaji, de 58 anos, contou suas experiências como prisioneira política em Sobrevivi ao Gulag Chinês

Xi Jinping discursa para jornalistas no Grande Salão do Povo em Pequim - 23/10/2022 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Xi Jinping discursa para jornalistas no Grande Salão do Povo em Pequim - 23/10/2022 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Os uigures, grupo étnico muçulmano que vive na Província de Xinjiang, na China, enfrentam uma dura repressão de Pequim. A região, rica em petróleo, é tratada com violência pelo Partido Comunista.

Essa relação conflituosa virou tema de livro. Gulbahar Haitiwaji, uma mulher uigur de 58 anos, tornou-se uma importante voz ao relatar suas experiências como prisioneira política em Sobrevivi ao Gulag Chinês, lançado pela Editora Moinhos

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Gulbahar, atualmente exilada em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris, sofreu tortura física e psicológica durante seu tempo de prisão. No livro, a mulher narra os métodos brutais empregados pela ditadura chinesa contra dissidentes.

Seu marido, Kerim, havia emigrado anos antes por causa da discriminação que enfrentava. Gulbahar, inicialmente relutante em deixar a China, acabou se juntando ao marido em Paris. No entanto, ao retornar à China para regularizar sua aposentadoria, foi presa sob acusação de terrorismo, em virtude da participação de sua filha em protestos uigures — na França.

A prisão da mulher uigur na China

Reportagem da Folha de S.Paulo mostra que, na prisão de Karmay, Gulbahar enfrentou condições desumanas — incluindo espancamentos, privação de sono e proibição de praticar sua fé. Posteriormente, foi levada para uma escola de reeducação, onde foi forçada a recitar hinos ao Partido Comunista em mandarim, enquanto o uso da língua uigur era proibido.

Durante seu tempo na prisão, Gulbahar fez uma única amiga, Madina, que desapareceu depois de ser chamada para um depoimento. À época, a família de Gulbahar na França, com o apoio de uma associação de uigures e do governo francês, promoveu uma campanha por sua libertação. Gulbahar acabou foi libertada e conseguiu asilo na França.

A mulher de 58 anos ainda carrega as cicatrizes físicas e emocionais de sua experiência, mas agora pode viver livremente, praticar sua religião e falar sua língua.

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