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Muito além da rivalidade: o gesto do Chelsea que emocionou o mundo da bola

'No futebol, rivalidade costuma ser combustível para provocações e picuinhas'

Atacante Diogo Jota, do Liverpool
O atacante português Diogo Jota, que era jogador contratado do Liverpool | Foto: Divulgação/Liverpool FC

Confesso que nunca fui muito fã do Chelsea. E não se trata de implicância gratuita, não.

Por muitos anos, o clube londrino carregou aquela imagem de “time biónico”, que só voltou ao mapa do futebol internacional depois que os petrodólares do russo Roman Abramovich encheram os cofres de Stamford Bridge.

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Mas eis que uma atitude recente começa a mudar essa impressão. Campeão da Copa do Mundo de Clubes, o Chelsea recebeu cerca de € 100 milhões de (R$ 630 milhões) em premiação.

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Contudo, em acordo entre diretoria, elenco e comissão técnica, decidiu doar aos familiares de Diogo Jota (atacante do rival Liverpool, morto em acidente de carro no início de julho, ao lado do irmão André Silva) o mesmo prêmio coletivo do elenco, no valor de € 13,2 milhões (R$ 83,1 milhões). A quantia será dividido entre todos os jogadores.

Sim, você leu certo: o gesto foi direcionado à família de um atleta que vestia a camisa de um arquirrival. É aí que está o detalhe que torna a homenagem ainda mais grandiosa.

No futebol, rivalidade costuma ser combustível para provocações e picuinhas. Mas o Chelsea mostrou que, acima da rivalidade, existe a humanidade. Infelizmente, é difícil imaginar algo semelhante acontecendo no futebol brasileiro.

O exemplo do Chelsea para o mundo do futebol

Diogo Jota enterro
Diogo Jota era um jogador de destaque do Liverpool, time rival do Chelsea na Inglaterra | Foto: Reprodução/site Liverpool

Nossa história recente, tristemente, conta também com tragédias envolvendo jogadores. A postura de muitos clubes nessas horas nem sempre foi marcada por gestos solidários.

Vemos muito mais discursos protocolares do que atitudes efetivas. Certamente, essa doação não vai fazer falta para um clube do tamanho do Chelsea.

É claro que caridade nunca deve ser feita pensando em autopromoção. Mas foi, sem dúvida, uma atitude nobre e, por que não, inteligente.

Afinal, também ajuda a mudar a imagem de um clube tantas vezes visto apenas como máquina de gastar dinheiro. No fim das contas, o troféu que o Chelsea levantou no Mundial de Clubes foi só mais um para a galeria.

Mas o gesto em memória de Diogo Jota, sim, ficará na prateleira mais importante: a dos gestos que engrandecem o esporte.

Leia também: “O império de Neymar”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 279 da Revista Oeste

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