publicidade
Mundo

Morre César Luis Menotti, técnico que transformou o futebol argentino

Ele, depois de atuar como jogador, se tornou treinador e levou a seleção ao seu primeiro título mundial, em 1978

Menotti Argentina
Menotti era o atual diretor de seleções da Argentina | Foto: Reprodução/YouTube

Alto, magro, com passos tranquilos, voz grossa e mansa. César Luis Menotti, de conversa franca, sempre acompanhada de um cigarro na mão, morreu neste domingo, 5, aos 85 anos, na Argentina. Ele foi o técnico que transformou o futebol no país, ao comandar a seleção argentina campeã mundial em 1978. Desde março, estava internado em Buenos Aires, com anemia.

Leia mais: “Messi é o jogador de futebol mais bem pago das Américas”

El Flaco (o Magro), como era conhecido, nasceu em Rosário, em 5 de novembro de 1938. Apaixonado por futebol desde criança, logo iniciou a carreira no Rosário Central, como meio-campista, depois de passar pelas categorias de base do clube. Jogou no Racing, Boca Juniors e veio para o Brasil, onde atuou no Santos de Pelé e no Juventus-SP.

Ao acompanhar os treinamentos no Santos, Menotti passou a vislumbrar seu conceito de jogo, que o transformaria em um dos maiores, senão no maior, treinador de futebol argentino de todos os tempos. Sentiu-se como um emissário, na casa do adversário, o futebol brasileiro que tanto admirava.

E, ao ver as movimentações harmoniosas de Pelé, Coutinho e Mengálvio, como uma dança, se entusiasmou em buscar para o futebol argentino, que passava por uma entressafra, a reedição de um estilo similar ao dos anos 1930, 1940 e 1950, quando o River Plate, La Máquina, encantou o mundo com uma geração criativa, formada por Carlos Peucelle, Adolfo Pedernera, Nestor Rossi, Ernesto Grillo, Félix Loustau, Omar Sívori e o maior de todos até então, Alfredo Di Stéfano.

Mais do que atuar, construir uma equipe passou a ser a melhor forma dele expressar aquela paixão de menino pelo esporte. Tornou-se auxiliar técnico na equipe do Newell´’s Old Boys, rival de seu Rosário na cidade. E na temporada de 1972–73, com o Huracán, conseguiu seu primeiro título como treinador ao vencer o Torneio Metropolitano, um dos dois mais importantes na época.

Receba nossas atualizações

Leia mais: “Camiseta usada por Maradona é leiloada por pouco mais de R$ 44 milhões”

Ainda em início de carreira, ele já mostrava talento em montar uma equipe jovem e surpreendente. Deslumbrou o país ao ajudar a revelar craques como Miguel Brindisi, Carlos Babington, René Houseman, já os utilizando nas Copas do Mundo seguintes. Sim, porque em 1974, a Associação de Futebol Argentino (AFA) descobrira no jovem treinador um potencial promissor.

Em 1974, o time não engrenou como o esperado na Copa do Mundo da Alemanha, sendo inclusive derrotado pelo Brasil de Zagallo. Mas, em 1978, também enfrentando o Brasil, desta vez com empate de 0 a 0, justamente em Rosário, o time de Menotti colocou em prática toda a filosofia que ele implantou em curto período. Tática e técnica se uniram em grande estilo.

Menotti deu condições para Daniel Passarella, protegido pelo combativo volante Americo Gallego, esbanjar qualidade técnica como quarto zagueiro. Buscou em Osvaldo Ardilles o que, tempos depois, o treinador Josep Guardiola veria em Xavi, o articulador inteligente do Barcelona. E fez de Mário Kempes o falso nove, chegando de surpresa ao ataque, o que Guardiola também repetiu com Messi.

A Argentina, mesmo com a polêmica vitória por 6 a 0 sobre o Peru, equipe que teria permitido a vitória, ganhou com méritos aquela Copa, ainda superando na final a Holanda que vinha com toda aquela evolução tática, assimilada também por Menotti, do Mundial de 1974, com Cruyff no campo e o treinador Rinus Michels fora dele.

Ecos de Menotti na seleção de 2022

Maradona
Menotti foi técnico de Maradona na Copa de 1982 | Foto: Reprodução/YouTube

Em 1982, já com Diego Maradona, o sucesso não foi o mesmo. Mas Carlos Bilardo, treinador da Copa de 1986, novamente se inspirou nos conceitos de Menotti para conquistar novo título mundial para a Argentina. Muito em função das ideias do treinador, que certamente foram determinantes para Maradona atingir seu ápice e ser o jogador que foi.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Os ecos de Menotti, que depois treinou o Barcelona, entre outros, se tornaram permanentes. Menotti inclusive, ainda em 2024, era o diretor de seleções da AFA. Toda vez que bebiam de sua fonte, as seleções argentinas se tornavam referência.

Leia mais: “Em final épica, Argentina vence a Copa e consagra Messi”

A última delas, muito elogiada por ele, foi a campeã mundial de 2022, comandada por Lionel Scaloni e com Lionel Messi em estado de graça. Do mesmo jeito que, um dia, aconteceu com Maradona.

“Nos deixou uma grande referência do futebol argentino. Condolências a sua família e entes queridos”, afirmou Messi, reconhecendo a contribuição de Menotti também para a sua carreira.

Os maiores ídolos argentinos, Maradona e Messi, brilharam muito também porque percorreram com genialidade os espaços desenhados pelo velho mestre. Tornaram-se eternos em razão disso. Não, não se pode dizer que o futebol argentino está de luto.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.